A proposta de reforma das regras de capital na Suíça pode reduzir em 9% o lucro por ação do UBS Group AG, segundo estimativa dos analistas do Royal Bank of Canada (RBC). Para Anke Reingen, Sherry Lin e Susana Cruz, a decisão sobre o tema se aproxima do pior cenário para o maior banco suíço.
Na semana passada, a Câmara Alta do Parlamento suíço aprovou uma exigência para que o UBS cubra 90% do valor de suas unidades estrangeiras com capital próprio de alta qualidade, conhecido como CET1. O percentual é inferior aos 100% previstos em uma proposta anterior do governo.
O banco se opõe ao plano e defendia uma alternativa que permitisse atender boa parte das novas exigências com títulos AT1, um tipo de dívida subordinada. O UBS calcula que teria de manter cerca de US$ 16 bilhões adicionais em capital CET1 na unidade doméstica caso a regra de 90% avance.
Em nota divulgada na segunda-feira (28), os analistas do RBC afirmaram que, com o cenário-base mais claro, o banco pode começar a definir medidas para reduzir os efeitos da mudança. Eles também disseram não esperar que a venda do banco ou de parte das operações seja a opção preferida, além de não preverem divulgação ao mercado antes da conclusão das regras.
Próximas etapas no Parlamento
Uma comissão da Câmara Baixa será o próximo órgão legislativo a analisar a proposta. O debate e uma possível votação estão previstos para as sessões de outubro e novembro. Depois, o plenário deve discutir as reformas provavelmente na sessão de inverno, programada de 30 de novembro a 18 de dezembro.
Parlamentares também apresentaram uma alternativa com exigência de 75% em CET1. Se as duas casas aprovarem versões diferentes, a proposta seguirá entre elas até uma tentativa de acordo.
Os analistas do RBC avaliam que é pouco provável uma flexibilização nas próximas etapas, considerando a composição partidária da Câmara Baixa. Ao mesmo tempo, afirmam que a regra mais rigorosa aprovada na Câmara Alta pode acelerar um entendimento entre as duas casas.







