A Lojas Renner S.A. terminou 2025 com crescimento da receita, do lucro e do retorno sobre o capital, enquanto avançou na expansão física e digital. A receita líquida do varejo aumentou 9,2%, para R$ 13,8 bilhões, e o lucro líquido consolidado subiu 21,8%, alcançando R$ 1,46 bilhão.
O retorno sobre o capital investido (Roic) avançou 2,3 pontos percentuais e chegou a 14,7%, acima do custo de capital da companhia. A margem bruta também melhorou: passou a 56,1%, maior patamar em seis anos. Com esse desempenho, a empresa ficou na primeira posição do setor de moda no ranking Valor 1000.
Eficiência e desempenho operacional
Os resultados foram apoiados por investimentos feitos nos últimos anos em tecnologia, digitalização, marcas, lojas e processos. Para Fabio Faccio, CEO da Renner, o efeito veio da combinação dessas frentes. “Mais do que um investimento isolado, o diferencial foi a integração entre tecnologia, operação e experiência do cliente que fortaleceu todo o ecossistema da companhia”, afirma.
A empresa também reorganizou o abastecimento e a administração dos estoques. A distribuição passou a considerar mais produtos por SKU, enquanto os canais foram conectados de forma mais integrada. Em 2025, a companhia registrou o menor nível de remarcações dos últimos cinco anos, e o estoque terminou o período 3,4% abaixo do ano anterior.
Essa gestão contribuiu para o avanço de 0,7 ponto percentual na margem bruta do varejo, que chegou a 56,1%. O Ebitda ajustado cresceu 10,2%, para R$ 2,73 bilhões, e a margem Ebitda passou de 19,6% para 19,8%.
No quarto trimestre, a receita avançou 4,3%, enquanto as vendas em mesmas lojas cresceram 3,3%. A companhia informou que o início do período foi afetado por temperaturas mais baixas que o habitual e pelo menor poder de compra, mas houve recuperação com a execução comercial e a aceitação das coleções.
A receita de vestuário aumentou 10,2%, acima da expansão de 4,9% do mercado. A venda por metro quadrado alcançou R$ 17,2 mil, cerca de 45% acima da média dos concorrentes diretos, conforme dados divulgados pela empresa.
Canais digitais e expansão de lojas
O GMV digital subiu 12,3%, para R$ 2,84 bilhões, e representou 15,5% das vendas. Segundo a companhia, os investimentos em logística e tecnologia ajudaram a conectar os canais, melhorar a disponibilidade de produtos e acelerar as entregas.
A Renner também incorporou inteligência artificial à experiência de compra, com recursos como o fashion assistant, que faz recomendações personalizadas, e o provador virtual. A empresa ampliou ainda o uso de imagens produzidas por IA para apresentar produtos.
Nas lojas, 70% das unidades Renner tinham caixas de autoatendimento com tecnologia RFID ao fim de 2025. De acordo com Faccio, esses equipamentos respondiam por cerca de 40% do faturamento nesses espaços.
A companhia encerrou o ano com 20 milhões de clientes ativos. Os consumidores que usam mais de um canal apresentaram consumo médio três vezes superior ao dos clientes monocanais, segundo o CEO.
A transformação digital não interrompeu a abertura de unidades. Em 2025, foram inauguradas 34 lojas das três marcas da companhia, sendo 23 no quarto trimestre. O investimento total chegou a R$ 858 milhões, incluindo expansão, reformas, atualizações de lojas e tecnologia.
Planos para 2026
Para 2026, a Renner prevê investir R$ 1,05 bilhão e abrir entre 50 e 60 lojas. Desse total, de 22 a 30 serão da marca Renner, de 23 a 25 da Youcom e cinco da Camicado.
A empresa terminou 2025 com R$ 1,5 bilhão em caixa líquido e gerou R$ 1,4 bilhão em fluxo de caixa livre. Em dezembro, anunciou um programa de recompra de até 75 milhões de ações.
No planejamento para 2026 a 2030, a companhia estabeleceu como metas aumentar a receita anual do varejo entre 9% e 13% e alcançar Roic de 20%. O resultado de 2025, de 14,7%, é tratado como parte desse caminho. “Com a maior parte dos investimentos estruturais concluídos, estamos posicionados para cumprir os compromissos apresentados no Investor Day”, diz Faccio.
Na área de sustentabilidade, a Renner informou avanços em circularidade, rastreabilidade, gestão climática, diversidade e desenvolvimento da cadeia de fornecimento. Em 2025, publicou um relatório nos padrões IFRS S1 e S2 e manteve presença nos índices Dow Jones de Sustentabilidade, além de liderar o setor varejista na carteira do ISE B3, segundo Faccio.







