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Velarde seguirá no BC do Peru após dez presidentes e cinco mandatos
Foto: Ana Paula Paiva/Valor
Câmbio e custos

Velarde seguirá no BC do Peru após dez presidentes e cinco mandatos

Confirmado pelo Senado, o economista continuará à frente do banco central peruano, símbolo de estabilidade em um cenário político turbulento.

O economista Julio Velarde foi confirmado pelo Senado para continuar no comando do Banco Central do Peru. Ele ocupa o cargo desde 2006 e permanecerá por mais um mandato de cinco anos, a convite da presidente Keiko Fujimori.

Velarde atravessou a gestão de dez presidentes e se tornou uma referência de continuidade econômica no país. A permanência foi tratada por Fujimori como uma forma de transmitir confiança e evitar uma nova fonte de incerteza para investidores, especialmente após a reação à eleição de Pedro Castillo em 2021.

Política monetária e câmbio

A estratégia conduzida por Velarde combinou juros, reservas internacionais e atuação no mercado de câmbio. Como o Peru tem uma economia parcialmente dolarizada, o banco central permitiu a variação do sol, acumulou reservas e interveio quando avaliou necessário.

O resultado foi a manutenção da inflação sob controle, com uma taxa básica de juros entre as menores dos mercados emergentes. O sol permanece negociado em patamar próximo ao registrado em relação ao dólar 25 anos atrás, enquanto as reservas internacionais chegaram a quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB).

As reservas funcionaram como proteção durante choques como a crise financeira global de 2008 e a pandemia. Depois da pandemia, o Peru esteve entre os primeiros países a elevar os juros diante das pressões inflacionárias, antes mesmo do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

“Existe esse medo entre os políticos de perder essa âncora”, afirmou a economista Liliana Rojas-Suárez, diretora da Iniciativa para a América Latina do Center for Global Development. Para ela, a instabilidade política ajudou a aumentar a importância de Velarde no cargo.

Uma trajetória de influência

Velarde assumiu a presidência do banco central pela primeira vez durante o segundo governo de Alan García, em 2006. García havia deixado a Presidência em 1990, quando a inflação alcançava 3.000% ao ano, e precisava reconstruir sua credibilidade econômica.

Antes disso, Velarde liderou a plataforma econômica do Partido Popular Cristão. A candidata da legenda, Lourdes Flores Nano, terminou a disputa presidencial em terceiro lugar. Formado na Alemanha e nos EUA, o economista também assessorou o primeiro-ministro da Economia do ex-presidente Alberto Fujimori, pai de Keiko.

Na década de 1990, Velarde lecionou em uma universidade local e integrou a diretoria do banco central. Ele voltou à diretoria no início dos anos 2000. Sua experiência técnica e capacidade de transitar na política ajudaram a preservar sua posição durante diferentes governos.

O economista de 74 anos também é conhecido por discutir temas como ópera e literatura, além de política monetária. Uma das raras controvérsias em sua trajetória ocorreu em 2008, quando sugeriu que moradores dos bairros mais pobres de Lima cultivassem hortaliças nos telhados para compensar a alta dos preços dos alimentos.

Jorge del Castillo, então primeiro-ministro de García, afirmou que Velarde já tinha prestígio quando foi nomeado. “Ele sempre foi a principal voz em macroeconomia”, disse Lourdes Flores Nano.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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