A Votorantim Cimentos encerrou 2025 com lucro líquido global recorde de R$ 3,2 bilhões, alta de 196% na comparação com 2024. A empresa, que completou 90 anos em 2026, também registrou receita líquida global de R$ 29,4 bilhões, crescimento de 9% no período, sem considerar os efeitos da variação cambial.
O desempenho colocou a multinacional na liderança do setor de materiais de construção e de acabamento do anuário Valor 1000. As vendas de cimento chegaram a 37 milhões de toneladas no ano passado, aumento de 5% em relação ao volume comercializado em 2024.
No Brasil, a receita líquida alcançou R$ 14,5 bilhões, avanço de 13% sobre 2024. O Ebitda ajustado somou R$ 2,8 bilhões, crescimento de 8% na mesma comparação.
Dívidas e resultado de 2026
A companhia adotou, ao longo de 2025, medidas para reduzir custos e estender os prazos de suas dívidas. As operações envolveram emissões de debêntures no mercado local e contratos bilaterais no exterior.
Com a estratégia, a Votorantim Cimentos reduziu R$ 2,2 bilhões em dívidas que venceriam entre 2026 e 2029. Os pagamentos foram transferidos para o período entre 2030 e 2033.
Para Osvaldo Ayres Filho, CEO global da empresa, a diversificação geográfica, o portfólio e a estrutura de capital contribuíram para o resultado. “A gente vem de uma jornada consistente de evolução”, afirmou.
Os números do primeiro trimestre de 2026 também mostraram crescimento. A receita líquida global foi de R$ 6,3 bilhões, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, sem os efeitos cambiais. As vendas de cimento somaram 8 milhões de toneladas, aumento de 4% sobre o primeiro trimestre de 2025.
Investimentos e expansão da produção
A Votorantim Cimentos opera em nove países: Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Luxemburgo e Turquia. A empresa tem 363 instalações, das quais 158 ficam no Brasil, e capacidade anual para produzir 54 milhões de toneladas de cimento.
Os investimentos da companhia totalizaram R$ 3,7 bilhões em 2025, alta de 14% sobre 2024. No Brasil, está em andamento um plano de R$ 5 bilhões para o período de 2024 a 2028. Desse total, R$ 3,1 bilhões já estão em execução.
O programa inclui iniciativas para aumentar a produção, elevar a competitividade, ampliar o uso de combustíveis alternativos e reduzir as emissões de carbono. Em julho, a empresa anunciou R$ 260 milhões para ampliar a fábrica de Xambioá, no Tocantins.
A unidade receberá mais 500 mil toneladas de capacidade anual, chegando a 1,5 milhão de toneladas por ano a partir de julho de 2028. O projeto também prevê a modernização do forno de clínquer e o desenvolvimento de um cimento com menor emissão de carbono.
Novas moagens estão previstas nas unidades de Salto de Pirapora, em São Paulo, Edealina, em Goiás, e Nobres, em Mato Grosso. A empresa também trabalha na reativação de um forno em Laranjeiras, em Sergipe, e de moagens de cimento em Esteio, no Rio Grande do Sul, e Laranjeiras.
A companhia estima que essas iniciativas acrescentem 3,7 milhões de toneladas de capacidade de produção de cimento por ano ainda em 2026.
Metas ambientais
A descarbonização é um dos eixos da estratégia da empresa, que estabeleceu 19 metas públicas para 2030. Entre os objetivos ambientais estão atingir 475 kg de emissão líquida de carbono por tonelada de produto cimentício, reduzir a emissão de material particulado para 30 g/ton de clínquer e alcançar 45% de energia elétrica renovável na operação global.
No Brasil, pouco menos de 50% da energia elétrica utilizada pela empresa vinha de fontes limpas e renováveis há dois anos. Atualmente, esse índice passa de 90%. Entre 1990 e 2025, as emissões globais da companhia caíram 27,7%.
As ações incluem modernização de fábricas, desenvolvimento de produtos com menor impacto ambiental, destinação sustentável de resíduos, expansão de fontes renováveis, substituição de combustíveis fósseis por biomassa e investimentos em projetos de captura de carbono.







