ZONA DA MATA — Sete meses após as chuvas que atingiram Ubá, Juiz de Fora e outras cidades da região, as atividades econômicas começaram a se aproximar da normalidade. Comércio, indústria e outros setores voltaram a funcionar, mas empresas ainda enfrentam perdas e precisam de apoio para manter os negócios abertos.
A presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), regional Zona da Mata, Mariângela Miranda Marcon, afirmou que a recuperação ainda não foi concluída. “Houve uma retomada importante, mas não podemos afirmar que a economia da Zona da Mata esteja plenamente recuperada”, disse.
Crédito e infraestrutura
Em Ubá, micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais tiveram acesso a uma linha de crédito emergencial de até R$ 10 mil, sem juros, com pagamento em até 36 vezes. Em Juiz de Fora, a Fiemg ajudou a viabilizar R$ 14 milhões para obras de infraestrutura no distrito industrial.
Também participaram das ações de reconstrução o Sebrae, o Ministério Público de Minas Gerais, os governos municipais, o governo estadual e o governo federal. As iniciativas somaram R$ 2,5 bilhões em recursos destinados a empresas e cidades.
Segundo Mariângela Marcon, parte das empresas ainda precisa recompor patrimônio, recuperar investimentos, reorganizar o fluxo financeiro e reconstruir a capacidade de crescimento. Ela também citou gargalos de infraestrutura, logística e segurança para a atividade industrial.
Preocupação com clima, água e energia
A possibilidade de um El Niño de intensidade muito forte colocou a prevenção entre as prioridades da região. O coordenador de Mercado de Energia da Fiemg, Sérgio Pataca, afirmou que a maior intensidade do fenômeno pode ocorrer de outubro a dezembro deste ano, aumentando a incerteza sobre chuvas, água, temperatura e logística.
Os efeitos podem atingir o custo da energia, a disponibilidade de água e o transporte de matérias-primas. Pataca citou ainda o risco de interrupção da produção em indústrias que dependem de um regime hidrológico adequado, especialmente os setores têxtil e de alimentos e bebidas.
A indústria também investiu no reuso da água. Para Mariângela Marcon, o monitoramento das condições meteorológicas, dos níveis dos rios e dos sistemas de alerta deve ser permanente, junto da melhoria das estruturas urbanas. A presidente da Fiemg defendeu que o aprendizado das chuvas de fevereiro deste ano seja convertido em uma política contínua de prevenção.







