RIO DE JANEIRO — O corpo do jornalista, escritor e acadêmico Zuenir Ventura foi velado na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Centro do Rio de Janeiro. Morto na terça-feira (22), aos 95 anos, ele foi sepultado no mausoléu da instituição, em Botafogo, na Zona Sul, no início da tarde.
Uma bandeira do Fluminense Football Club cobriu o caixão. A cerimônia reuniu amigos, ex-colegas, discípulos de diferentes gerações e representantes da vida pública, entre eles o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, e o secretário de cultura Lucas Wosgrau Padilha.
A jornalista e escritora Míriam Leitão, colega de Zuenir no jornalismo e na ABL, afirmou que a despedida representava uma imprensa de luto. Ela destacou a influência do escritor sobre diferentes gerações e sua contribuição para a reflexão sobre o Brasil, especialmente em obras como “1968 - O ano que não terminou”.
Memória entre colegas e amigos
Mauro Ventura, filho de Zuenir, contou que a influência do pai ultrapassou o ambiente familiar. Ele levou ao velório um bloco com anotações de histórias compartilhadas pelos amigos e disse que o pai aprovaria vê-lo trabalhando como jornalista naquele momento.
Gilberto Gil, colega de Zuenir na ABL desde 2022, descreveu o acadêmico como um “militante cultural”. Os dois se aproximaram quando Gil se mudou para o Rio, em 1972. Já o compositor Paulinho da Viola conhecia Zuenir desde a década de 1960. A dupla conversava sobre o cenário político e a perseguição aos artistas.
Zuenir também escreveu o roteiro do documentário “Paulinho da Viola —Meu tempo é hoje” (2003), dirigido por Izabel Jaguaribe. Entre os livros lembrados durante a cerimônia estão “Cidade Partida”, “1968 - O ano que não terminou” e “Chico Mendes - Crime e castigo”.
Merval destacou a importância da obra sobre Chico Mendes para a compreensão do Brasil. Ascânio Seleme recordou a atuação de Zuenir na cobertura do assassinato do ambientalista, quando trabalhava no Jornal do Brasil. Arthur Dapieve, que atuou com ele no Globo e no Jornal do Brasil, falou sobre a presença do jornalista em trajetórias profissionais e pessoais.
Fausto Fawcett lembrou que Zuenir deu visibilidade ao funk surgido nas favelas do Rio. Rubem César Fernandes, antropólogo e fundador da ONG Viva Rio, afirmou que o escritor participou das primeiras reuniões da organização, criada em 1993 em reação à violência na cidade. A atuação de Zuenir nesse contexto também aparece em “Cidade Partida”.
Cadeira 32 será declarada vaga
A ABL realiza nesta quinta-feira (24), às 16h, a tradicional Sessão da Saudade, ritual de despedida do acadêmico antes da declaração oficial de vacância da cadeira 32.
Depois da sessão, serão abertas as inscrições para a vaga que tem como patrono Manuel de Araújo Porto-Alegre. O médico e escritor Drauzio Varella deve disputar a eleição e é apontado como favorito para ocupar o posto.







