O dólar pode cair para a faixa de R$ 4,35 caso o real repita o desempenho recente do peso colombiano e o Brasil apresente sinais de consolidação fiscal após as eleições. A estimativa é do Goldman Sachs, que também prevê a moeda americana próxima de R$ 5,80 em um cenário sem correção nas contas públicas.
Em uma hipótese de maior probabilidade de melhora fiscal, a eliminação completa do prêmio de risco associado às incertezas sobre o arcabouço fiscal poderia valorizar o real em 5,3%. Nesse caso, o dólar chegaria a cerca de R$ 4,80. A instituição considera que o real poderia avançar ainda mais se os esforços fiscais gerassem um prêmio positivo e o ambiente externo favorecesse o câmbio brasileiro.
Teresa Alves, estrategista-sênior de moedas do Goldman Sachs, citou como referência o período de 2006 a 2011. Na época, segundo ela, o real estava sobrevalorizado em relação aos modelos do banco, o resultado fiscal primário era superavitário, os termos de troca melhoravam e o crescimento era forte.
Risco de enfraquecimento
No cenário fiscal negativo, o Goldman Sachs calcula uma depreciação de 14% do câmbio brasileiro, levando o dólar para aproximadamente R$ 5,80. A projeção considera que a diferença entre o desempenho do real e o modelo do banco volte aos níveis máximos observados em dezembro de 2024.
Alves também afirma que o diferencial elevado de juros, conhecido como carry trade, pode não ser suficiente para proteger a moeda brasileira depois das eleições. Para a estrategista, o ambiente global de risco será decisivo no período.
“E o alto ‘carry’ não é uma proteção confiável”, disse Alves, ao lembrar que o real voltou a perder força ao longo de 2015, mesmo após nomeações consideradas mais ortodoxas para o gabinete da presidente Dilma Rousseff em 2014.
Os resultados do primeiro turno também podem influenciar o câmbio. Em 2022, o real se valorizou 4,5% na segunda-feira após a eleição, depois de um resultado presidencial mais apertado que o esperado e de uma mudança para a centro-direita no Congresso. Em 2014, a moeda avançou 1,3% na segunda-feira após Aécio Neves ter desempenho acima das expectativas.







