As novelinhas verticais do Globoplay são produzidas a partir de modelos diferentes, que vão de histórias gravadas especialmente para o celular à reedição de novelas já exibidas. Em comum, elas mantêm a estrutura de produção associada à Globo, com cenários, fotografia, trilha sonora e figurinos mais elaborados do que os das produções chinesas que deram origem ao formato.
A plataforma entrou nesse segmento em novembro passado com “Tudo por uma Segunda Chance”, produção experimental estrelada por Jade Picon, Débora Ozório e Daniel Rangel. A história começa com Catarina tentando envenenar a noiva durante o casamento. O plano atinge Lucas, o noivo que desperta o interesse da personagem. A trama segue por falsas acusações, inveja, reviravoltas e a vitória das mocinhas, em uma sequência de clichês voltada ao consumo rápido.
Quatro caminhos para o formato
Outra possibilidade é aproveitar cenários e figurinos de uma novela em produção para criar uma história original com custo mais baixo. “Onde Está a Boiadeira?”, com Susana Vieira, utilizou recursos de “Coração Acelerado”.
Também há microsséries montadas com cenas de novelas gravadas nos formatos tradicional e vertical. “Angel” foi baseada em “Verdades Secretas”; “Bibi Perigosa”, em “A Força do Querer”; e “Ramiro e Kelvin” foi recortada de “Terra e Paixão”. Já “Por Você” complementou a história de uma nova novela.
Entre as demais produções estão “As Profundezas do Amor”, sobre as falcatruas de uma assistente descobertas pela chefe, que entra em coma após ser jogada de um mezanino, e “Amor sob Vigilância”, com Dudu Azevedo e Malu Rodrigues. Nesta última, o foco é a perseguição digital sofrida por um casal.
Histórias simples, produção mais sofisticada
A proposta dessas obras é ocupar períodos de tédio, como o trajeto no transporte público. Por isso, elas não buscam ser referências de originalidade ou rigor artístico. Os personagens são rasos, os roteiros recorrem a situações previsíveis e os acontecimentos podem parecer inexplicáveis.
Ainda assim, as produções seguem o padrão das obras dramatúrgicas da Globo, sob a direção de gênero de José Luiz Villamarim. A avaliação apresentada é que, embora tenham dramaturgia simples, as histórias do Globoplay são mais sofisticadas que as importadas da China. A produção chinesa, porém, vem melhorando de maneira vertiginosa.








