Uma versão digital de Greta Garbo aparece como porta-voz de um anúncio do Grupo SKF, empresa sueca que apresenta seus rolamentos magnéticos de baixo atrito. A campanha foi divulgada nesta semana e utiliza inteligência artificial para recriar a atriz, que deixou o cinema em 1941 e morreu há mais de 40 anos.
No comercial, a representação de Garbo usa calças e uma blusa de seda. Antes de falar sobre os produtos, ela pergunta: “Já estamos gravando?”. Os rolamentos são utilizados em data centers, sistemas de refrigeração e aplicações de semicondutores.
Da referência histórica à produção digital
De acordo com o Grupo SKF, a escolha da atriz também retoma uma ligação antiga entre Garbo e a empresa. A atriz sueco-americana participou de um filme usado pela companhia para divulgar a indústria sueca no exterior.
O porta-voz Carl Bjernstam afirmou que a família da atriz e a Harriet Brown & Co. Inc., responsável pelo licenciamento de sua imagem, aprovaram o projeto. A empresa disse ainda que os familiares e responsáveis pelo espólio ficaram satisfeitos com o resultado.
Para desenvolver a personagem, a equipe analisou fotografias e filmes de Garbo e criou uma representação física, em vez de apenas reutilizar imagens existentes. A imagem foi gerada com diferentes modelos de inteligência artificial, entre eles Seedream 5 Pro e Nano Banana Pro. Os movimentos e a animação foram produzidos com Seedance 2 e 2.5, além do Kling.
A voz exigiu outro processo. Como a reprodução se mostrou mais difícil, áudios de arquivo foram usados para treinar um modelo de voz.
Reação e debate sobre réplicas
A utilização autorizada não impediu a divisão entre os espectadores. Parte do público considerou a réplica convincente, enquanto outros disseram que ela não reproduziu o carisma da atriz e criticaram o roteiro.
O caso se insere no debate sobre o uso de réplicas digitais de pessoas que morreram e não podem autorizar a utilização da própria imagem. Vídeos criados por fãs com celebridades falecidas, como Dolly Parton e Robin Williams, já provocaram reações negativas de familiares. Uma réplica fotorrealista de Val Kilmer também será usada para substituir o ator em um filme que ele planejava fazer antes de morrer.
“Retratar alguém que já não está mais entre nós traz consigo uma responsabilidade”, disse Bjernstam ao comentar a polêmica. A Harriet Brown & Co. Inc. não respondeu de imediato a um pedido de comentário.








