A morte de Zuenir Ventura, aos 95 anos, mobilizou homenagens de nomes do jornalismo, da literatura e da cultura. Lilia Schwarcz, Marco Lucchesi, Mílton Jung, Fernanda Torres e Nelson Motta lembraram a trajetória profissional, a obra e a relação pessoal que mantinham com o jornalista.
Lilia Schwarcz afirmou que o país perdeu “um homem justo” e uma testemunha das transformações brasileiras. A historiadora e antropóloga também ressaltou a atuação de Zuenir como professor, repórter, editor, cronista e escritor, além da curiosidade e da humanidade que identificava nele.
Ao comentar o livro “1968, O ano que não terminou”, publicado em 1988, Lilia destacou que o autor não se limitou a organizar os acontecimentos daquele período. Na avaliação dela, Zuenir buscou as lembranças, os medos e os desejos das pessoas que viveram aquela época marcada pela ditadura.
Marco Lucchesi se despediu do jornalista em uma mensagem publicada nas redes sociais e mencionou a dor provocada pela perda. Mílton Jung classificou Zuenir como “um mestre, um gênio, uma referência” para o jornalismo e para os brasileiros.
Fernanda Torres compartilhou uma fotografia feita por Andréia Sadi, em que aparece com Zuenir e o jornalista Jorge Bastos Moreno. A atriz enviou uma homenagem a Mary Ventura e aos familiares do jornalista.
Nelson Motta recordou que conheceu Zuenir em 1964, quando foi aluno dele na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI). Segundo Motta, essa convivência teve importância em sua decisão de seguir a carreira jornalística.
Trajetória profissional
Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir se mudou para o Rio de Janeiro em 1954. Durante uma temporada em Paris, onde estava com uma bolsa de estudos, trabalhou como correspondente da Tribuna da Imprensa.
De volta ao Brasil, passou pelo Correio da Manhã, pela revista O Cruzeiro e pela sucursal carioca de Visão. Em 1977, assumiu a chefia da sucursal carioca de Veja. Também teve passagem por IstoÉ e pelo Jornal do Brasil.
Em 1969, escreveu para a Editora Abril a série “Os anos 60: A década que mudou tudo”, que depois foi transformada em livro. Recebeu o Prêmio Esso por reportagens sobre a morte de Cláudia Lessin e por uma série a respeito do assassinato de Chico Mendes. Pelo trabalho sobre Chico Mendes, também recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos.
Zuenir iniciou sua atuação como colunista em 30 de janeiro de 1999. Primeiro, manteve uma coluna semanal no Segundo Caderno e, mais tarde, passou a publicar duas crônicas por semana na editoria de Opinião. Seus textos abordavam costumes, política, futebol, violência, cultura, a cidade e experiências pessoais.
O jornalista deixa a mulher, Mary Ventura, e os dois filhos: o jornalista Mauro e a editora Elisa.






