RECIFE — José Patrício retorna às exposições individuais no Recife com a mostra “A Dança Matemática das Cores”, que reúne pelo menos doze obras inéditas produzidas nos últimos cinco anos. Com curadoria de Diego Matos, a exposição abre em 9 de outubro na Galeria Amparo 60 e segue até 28 de novembro.
A última individual do artista ocorreu em 2017, quando ele apresentou “Precisão” no Museu do Estado (Mepe). Agora, metade das obras exibidas foi produzida com botões, em trabalhos das séries “Espirais Cromáticas” e “Progressões Cinéticas”, já conhecidas do público. A exposição também apresenta “Interações Espaciais”, série nova de Patrício.
O conjunto inclui ainda peças únicas feitas com quebra-cabeças. Entre elas estão trabalhos das séries “Espirais tonais”, “Circuitos tonais”, “Formas em sequência numérica tonal” e “Conjuntos em progressão tonal”. Segundo Patrício, parte das obras apresenta um viés cinético, ligado à ocupação dos espaços, tema que acompanha sua produção.
Matemática, movimento e território
Diego Matos afirma que a produção do artista mantém relação com Pernambuco, lugar de onde ele vem, e funciona como ponto de partida conceitual. Colecionador de objetos e artefatos da artesania pernambucana, Patrício transforma elementos de apelo popular, incluindo materiais descartados, em uma linguagem baseada em valores racionais de composição plástica.
O título da mostra relaciona movimento e estrutura. Para o curador, a dança pode conter planejamento e raciocínio, enquanto a matemática, apesar da rigidez associada a ela, também pode ser lúdica. Esse diálogo aparece nas sequências criadas com jogos de dominó, botões e peças de quebra-cabeça, organizadas em movimentos espirais e progressões crescentes ou decrescentes.
As obras estão distribuídas em dois núcleos. Um deles reúne jogos sequenciais e uma racionalidade de movimento marcada por escalas tonais que vão do branco ao preto, passando pelo cinza. O outro apresenta uma organização mais caótica, com referências à movimentação de formigas, à disposição das estrelas no espaço e à teoria do caos.
A Galeria Amparo 60 fica na Rua Professor Eduardo Wanderley, no 3º andar da Dona Santa. A visitação ocorre de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h.








