A iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz de 2023, conta em suas memórias o sofrimento causado por mais de uma década longe dos filhos. Aos 54 anos, ela afirma que seu maior medo é morrer sem reencontrar os gêmeos Kiana e Ali.
O livro, publicado nesta quinta-feira (24) em países como França, Estados Unidos e Alemanha, recebeu o título A Woman Never Stops Fighting. A obra reúne relatos sobre a defesa dos direitos humanos, os períodos de prisão e a relação da ativista com a família.
Mohammadi recorda o último encontro com os filhos, em julho de 2015. Na época, Kiana e Ali tinham oito anos e deixaram o Irã rumo a Paris. A despedida ocorreu enquanto ela estava detida na prisão de Evin, em Teerã.
“Como poderia viver sem ver meus filhos?”, questiona a autora ao lembrar o momento. Em outro trecho, descreve a imagem dos dois se afastando depois do abraço final e afirma: “Senti como se um imenso vazio tivesse se aberto dentro de mim”.
Luta e separação familiar
Nas memórias, Mohammadi também relata a infância em Zanjan, no norte do país, e a mudança em sua trajetória após a Revolução Islâmica de 1979. Ela passou a combater a pena de morte e o rígido código de vestimenta imposto às iranianas.
A atuação resultou em anos de prisão e castigos durante diferentes períodos de detenção. Mesmo assim, a Nobel da Paz recusou-se a deixar o Irã para viver em Paris com o marido, o opositor Taghi Rahmani, e os filhos.
Em maio, Mohammadi foi libertada sob fiança por problemas de saúde. Ela está em tratamento por problemas cardíacos e escreve que teme deixar o mundo sem ver Kiana e Ali novamente.
A ativista começou a redigir as memórias na prisão há cerca de dez anos. O texto foi escrito em persa, saiu do Irã em partes e depois foi reunido e traduzido para o inglês pela Fundação Narges Mohammadi, sediada em Paris. A editora Aschehoug publicou o livro em Oslo, na Noruega.








