Terraços, varandas, decks e áreas de piscina podem assumir um papel mais amplo na hotelaria: em vez de servirem apenas como apoio à piscina, tornam-se ambientes para descansar, conversar, trabalhar, comer ou simplesmente permanecer. A Villa Ayeria, em Panormo, perto de Rethymno, no Litoral Norte de Creta, exemplifica essa proposta ao integrar arquitetura, paisagem e mobiliário externo.
A residência privada foi pensada em relação ao cenário mediterrâneo, às colinas áridas e à arquitetura local. Luz, água e vida ao ar livre estruturam a experiência, enquanto as aberturas de vidro mantêm a piscina, o mar e a paisagem presentes nos espaços internos. Varandas, terraços e áreas cobertas formam uma transição contínua entre dentro e fora, com sombras produzidas pelos balanços da construção nos horários mais quentes.
Espaços para diferentes ritmos
A Villa Ayeria recebe até 12 hóspedes em seis dormitórios. O projeto inclui grandes terraços, piscina infantil, piscina de borda infinita de 100 metros quadrados (m²) e uma área wellness com piscina interna aquecida, sauna e academia.
Mais do que a quantidade de ambientes, a organização permite que o hóspede mude de atividade ao longo do dia. É possível tomar café na varanda, ficar junto à piscina, procurar uma área protegida do sol para conversar, passar para um lounge ao entardecer e terminar a noite ao redor de uma mesa.
O projeto de interiores e a seleção de mobiliário ficaram sob responsabilidade do Kaloterakis Group, empresa cretense criada em 1976 e especializada em equipamentos para hotelaria, mobiliário e soluções personalizadas. Os produtos externos da Vondom ajudam a definir funções, escalas e formas de ocupação.
A base visual reúne branco, madeira e tons próximos da areia. Sobre ela, diferentes peças criam situações específicas: repouso junto à água, conversa em área coberta e encontros ao redor da mesa. Para hotéis e resorts, a escolha do mobiliário passa, assim, pela pergunta sobre quais comportamentos cada espaço deve estimular, além da resistência ao sol, à umidade e ao uso intenso.
Piscina, convivência e privacidade
Ao redor da piscina, as espreguiçadeiras Gatsby, desenhadas por Ramón Esteve, acompanham as linhas horizontais da arquitetura e da água. A geometria simples e as cores neutras preservam a continuidade entre deck, piscina e horizonte. A coleção tem referências no Art Déco e nos anos 1920, mas aparece de maneira discreta na villa.
A repetição das peças cria ritmo sem sobrecarregar a composição. Com isso, o mobiliário não disputa atenção com a paisagem, mesmo em uma área que reúne espreguiçadeiras, mesas, ombrelones, equipamentos, sinalização, toalhas e pessoas.
Já a coleção Milos, de Jean-Marie Massaud, cria ambientes voltados à convivência. Sofás modulares e poltronas de volumes arredondados formam pequenas salas de estar ao ar livre. Inspiradas em rochas moldadas pelo vento e pelo mar, as peças se relacionam com a paisagem mineral de Creta. A coleção recebeu o Red Dot Design Award em 2024.
Sofás curvos, poltronas individuais e mesas baixas organizam núcleos de permanência que favorecem a conversa sem bloquear a circulação ou as vistas. O conjunto aproxima o terraço de uma sala de estar, com estofados, almofadas, iluminação, tapetes outdoor e mesas auxiliares.
Nas varandas dos quartos do pavimento superior, as poltronas Africa, de Eugeni Quitllet, criam pontos individuais de pausa diante da paisagem. A proposta mostra como uma varanda, uma poltrona confortável e uma vista podem formar um espaço próprio de contemplação, mesmo em uma área pequena.
Cor e uso cotidiano
Na área de refeições, as cadeiras Love, também de Eugeni Quitllet, aparecem principalmente no tom Clay, um avermelhado terroso relacionado às colinas de Creta, à fachada e às almofadas dos lounges. Nas pontas da mesa, as poltronas Sabinas, de Javier Mariscal, em Ecru, equilibram a composição.
A cor funciona como ligação entre mobiliário, arquitetura e território. As cadeiras Love também são feitas de polipropileno reforçado com fibra de vidro, podem ser empilhadas e usadas em áreas internas e externas. Essa flexibilidade atende a tarefas comuns da hotelaria, como movimentar, limpar e reorganizar as peças.
A distribuição dos móveis segue uma lógica de experiências: Gatsby organiza o descanso junto à água; Milos favorece encontros; Love dá destaque à refeição; Sabinas equilibra a mesa; e Africa cria momentos de privacidade. O projeto parte de perguntas práticas: onde alguém poderá conversar durante duas horas, ler sozinho, reunir um grupo de oito pessoas ou encontrar sombra às três da tarde?
A partir dessas decisões, mobiliário, arquitetura, paisagismo, proteção solar e iluminação passam a funcionar em conjunto. A proposta da Villa Ayeria é tratar o espaço externo como parte da jornada do hóspede, e não como uma área de passagem.
Nesse arranjo, luxo aparece associado a espaço, silêncio visual, luz natural, paisagem, conforto e liberdade para escolher como ocupar cada momento. O terraço deixa de ser apenas uma extensão, a piscina deixa de funcionar somente como equipamento e a varanda ganha um papel próprio na experiência de hospedagem.
Crédito das fotos: N. Frango Manolakis / Vondom.








