A confiança no mercado global de viagens corporativas se recuperou depois da queda observada no primeiro semestre de 2026. Uma pesquisa da GBTA (Global Business Travel Association) mostra que 63% dos profissionais consultados estão otimistas com os próximos 12 meses, contra 41% em abril. No mesmo período, o pessimismo caiu de 24% para 7%.
Realizado entre 27 de agosto e 9 de setembro, o levantamento ouviu 604 gestores de viagens, fornecedores e intermediários. Entre os compradores corporativos, o otimismo subiu de 39% para 61%. Já entre fornecedores e empresas de gestão de viagens, as TMCs, o índice passou de 42% para 64%.
Gastos avançam acima do volume esperado
A melhora na percepção não representa, necessariamente, um crescimento equivalente na quantidade de viagens. Entre os compradores, 45% esperam fazer mais viagens corporativas em 2026 do que em 2025. Em abril, eram 30%. A expectativa de aumento nos gastos alcança 56%, acima dos 43% registrados na pesquisa anterior.
O custo das viagens foi apontado por 69% dos compradores como um fator relevante para o planejamento. Do lado dos fornecedores e das TMCs, 48% projetam aumento da receita relacionada às viagens de negócios, ante 35% em abril. A parcela que espera queda recuou de 27% para 14%.
As reuniões empresariais também aparecem nas projeções. Entre os compradores, 31% esperam mais encontros que exijam deslocamento, enquanto 49% preveem estabilidade e 14%, redução.
Custos e cenário geopolítico influenciam decisões
Além das despesas, os compradores mencionaram a incerteza geopolítica, citada por 45%, as aprovações internas e justificativas para viajar, com 29%, e a segurança dos viajantes, com 25%.
Para fornecedores e TMCs, a principal preocupação é a incerteza geopolítica, mencionada por 60% dos entrevistados. Em seguida aparecem o aumento dos custos operacionais, com 44%, e a pressão dos clientes para reduzir preços, taxas ou despesas, com 42%.
“Profissionais experientes em viagens corporativas são os que decidem quais viagens serão realizadas”, afirma Suzanne Neufang, CEO da GBTA. Segundo ela, esses profissionais também garantem a segurança dos viajantes e mantêm os orçamentos estáveis quando as condições mudam.
A Europa registrou a maior recuperação de confiança entre as regiões avaliadas. O percentual de respondentes otimistas passou de 21% em abril para 55% em setembro. Entre os pessimistas, o índice caiu de 38% para 11%. Mesmo com a melhora, o otimismo europeu ficou abaixo da média global de 63%.
Viagens dentro da própria região ganham força
Na Europa, 47% dos compradores esperam aumento das viagens corporativas dentro do continente nos próximos 12 meses. Na América do Norte, 43% projetam crescimento dos deslocamentos dentro da região.
O Oriente Médio teve a perspectiva menos favorável entre os destinos analisados: 34% dos compradores esperam reduzir as viagens para a região, enquanto 14% preveem aumento. Entre fornecedores e TMCs, 40% calculam queda na demanda dos clientes por esses deslocamentos.
Para os compradores que esperam viajar mais para algumas regiões, crescimento dos negócios e expansão de mercado aparecem como os principais impulsionadores na Ásia-Pacífico, Europa e América Latina.








