SÃO PAULO — Hotéis independentes podem ampliar sua participação no mercado de viagens corporativas ao combinar atendimento personalizado, qualidade nos serviços, distribuição eficiente e uso estratégico de dados. O tema foi discutido no painel Segmento corporativo, viagens e eventos de negócios: uma oportunidade além das grandes capitais, realizado durante o 10º Fórum Brasileiro de Hotéis Independentes (FBHI).
A hotelaria representa 45% do volume de viagens corporativas no Brasil, de acordo com Luana Nogueira, diretora executiva da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev). Ela afirmou que a presença regional dos hotéis independentes pode favorecer a aproximação com empresas e a construção de negociações mais próximas.
“Quando falamos da hotelaria independente, especificamente, as possibilidades aumentam, porque o nível de personalização é maior”, disse Luana. Segundo ela, os contratos corporativos passaram a considerar fatores como a qualidade dos serviços, além das condições comerciais.
Personalização e atendimento
O painel também abordou as expectativas dos viajantes que usam hotéis com frequência. Luana destacou a busca por uma jornada mais personalizada e afirmou que a tecnologia pode ajudar os empreendimentos a compreender seus hóspedes e organizar estratégias de atendimento.
Os dados podem apoiar ações voltadas à identificação das necessidades dos viajantes corporativos. Ainda assim, a executiva ressaltou a importância do contato próximo com o hóspede e da atenção aos detalhes durante a prestação do serviço.
Para transformar essa capacidade de atendimento em negócios, os participantes apontaram a necessidade de compreender as características do mercado corporativo, os canais de venda e as demandas específicas dos viajantes de negócios.
Distribuição e apresentação do hotel
Danilo Gonçalves, diretor de Operações e sócio da Iterpec, afirmou que tarifas claras estão entre as principais expectativas dos hóspedes. Para ele, o conteúdo apresentado nas plataformas de distribuição também influencia a decisão de compra.
Informações organizadas e alinhadas à proposta do empreendimento ajudam a apresentar melhor o hotel ao público corporativo. “Não adianta ter uma boa tarifa, as melhores condições de negociação, mas se entregar um conteúdo desconexo com a proposta do hotel, perde-se a reserva”, afirmou Gonçalves.
Bruno Heleno, consultor hoteleiro, avaliou que hotéis independentes ainda deixam de aproveitar oportunidades nesse segmento. Uma das alternativas, segundo ele, é criar diferentes caminhos de distribuição para conectar os empreendimentos às empresas.
André Victória da Silva, sócio da AVS Consultoria em Gestão e mediador do painel, conduziu a discussão. Ao longo do encontro, os participantes relacionaram o avanço dos hotéis independentes no mercado corporativo à personalização, à qualidade dos serviços, à distribuição e ao uso de dados.








