A conexão com o hóspede, as equipes, os produtores e a cidade orienta o trabalho de Netto Moreira, que agora dirige o Cluster Luxo da Accor no Rio de Janeiro. Depois de sete anos à frente do Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, ele passa a acompanhar hotéis com propostas diferentes dentro da mesma operação de luxo.
Com mais de duas décadas de experiência na hotelaria, Netto passou por cozinha, enologia, gestão e diferentes departamentos e países. Formado em hotelaria na França, chegou ao Rio de Janeiro em 2012 e participou de aberturas, reposicionamentos e outros ciclos da operação hoteleira.
Gastronomia conectada ao território
A gastronomia é uma das principais ferramentas usadas pelo executivo para criar identidade. No Fairmont, o hotel compra pescados da colônia centenária de pescadores de Copacabana e apoia a formação de novas gerações ligadas ao ofício.
O Marine Restô trabalha com biomas, ingredientes e referências brasileiras. No Spirit Copa Bar, frutas e produtos nacionais aparecem na coquetelaria, ao lado de mel de Petrópolis, cachaças pesquisadas diretamente com produtores e um carrinho dedicado a rótulos brasileiros premiados.
“Estamos no Brasil, então temos um carrinho de cachaças”, afirma Netto Moreira.
A proposta também aparece na relação entre o hotel e o Rio. O Fairmont foi concebido com referências aos anos 1950, design brasileiro e gastronomia ligada ao país. Para o executivo, o hotel deve funcionar como um embaixador da cultura local, sem deixar de manter padrões internacionais.
Esse padrão depende de treinamento, prática e repetição. Para Netto, quem trabalha no salão precisa conhecer o prato, os ingredientes, a origem, o preparo e a história por trás da experiência. Esses profissionais, na visão dele, são embaixadores do que chega ao hóspede.
Sustentabilidade e novo projeto em Ipanema
A sustentabilidade está presente na compra local, no respeito à sazonalidade e na escolha dos pescados. No Fairmont, a operação acompanha o que é produzido e descartado. Alimentos próprios para o consumo, dentro dos critérios sanitários, são destinados a comunidades próximas ao hotel por meio de uma parceria com a Comida Invisível.
Netto também observa mudanças no comportamento dos hóspedes, como o aumento da procura por bebidas sem álcool ou de baixo teor alcoólico, opções vegetarianas e veganas e pratos menos copiosos. Para ele, a busca está mais ligada à qualidade e ao sentido da experiência do que à quantidade.
O próximo desafio está no novo Sofitel Rio de Janeiro Ipanema, instalado no antigo Caesar Park. O projeto reduziu o número de apartamentos de 220 para 170, criando espaço para suítes maiores. Os últimos andares terão experiências diferentes: o 21º receberá o Club Millésime; o 22º, o restaurante principal; e o 23º, o Riva, voltado ao encontro entre o terroir marítimo e o terrestre.
No alto do edifício, um bar completa o percurso. A proposta do hotel é aproximar a tradição da marca francesa da identidade do Rio de Janeiro, especialmente de Ipanema, por meio dos restaurantes, bares e demais experiências.
Para Netto, o luxo está relacionado à felicidade e à conexão humana. Ele prefere chamar restaurantes e bares de pontos de encontro, espaços em que pessoas, culturas e territórios podem se aproximar por meio da gastronomia.








