O impacto de uma operadora de turismo vai muito além de sua própria estrutura. Hotéis, transportadoras, guias, experiências, fornecedores locais, comunidades e viajantes participam de uma cadeia que pode ser influenciada, mas não é controlada diretamente por uma única empresa.
A avaliação ganhou força durante a jornada da Matueté para se tornar uma Empresa B. Depois de aprimorar processos internos, a empresa passou a analisar a Política de Fornecedores, o inventário de gases de efeito estufa e a dupla materialidade. O movimento levou à conclusão de que ampliar o impacto positivo exige observar toda a rede envolvida em uma viagem.
Uma operação pode adotar medidas ambientais e, ainda assim, deixar pouco valor no destino. Por isso, entram na análise questões como a parcela da receita que permanece no território, quem participa da economia local e qual é o espaço das comunidades nas decisões sobre o desenvolvimento do turismo.
O papel do turismo de alto padrão
No turismo de luxo, a exclusividade pode estar associada ao consumo desproporcional de recursos, a emissões elevadas e à concentração do valor econômico. Mas esse segmento também pode gerar mais recursos para conservação, fornecedores e comunidades sem depender necessariamente de um grande volume de visitantes.
A contratação de fornecedores locais e a geração de empregos são importantes, mas não esgotam o tema. Também é preciso entender a relação dos parceiros com as comunidades e o poder de decisão delas. Para as operadoras, isso significa estabelecer critérios, fazer perguntas e priorizar empresas alinhadas a princípios socioambientais.
Os viajantes também influenciam os resultados. Mais visitantes não representam, por si só, um turismo melhor. A forma de viajar, o consumo e a escolha de experiências e fornecedores interferem no valor gerado nos destinos.
Critérios para a cadeia
A Matueté desenvolve uma Política de Fornecedores com critérios socioambientais, avaliação de riscos e acompanhamento. A proposta é definir parâmetros mínimos e incentivar a evolução das práticas, sem simplesmente excluir parceiros que ainda não alcançaram determinado nível.
Para Caroline Vaslin Diniz Mundim, diretora comercial da Matueté, o desafio é compartilhado por operadoras, hotéis e outros participantes do setor. A empresa defende a troca de aprendizados e ferramentas, com a participação de fornecedores e comunidades na busca por soluções.
O objetivo é contribuir para um turismo que valorize os destinos, fortaleça comunidades, preserve a biodiversidade e distribua melhor o valor gerado pelas viagens no Brasil.








