A Agrodefesa acompanha um caso de cancro da videira identificado no Distrito Federal para impedir que a doença alcance áreas produtoras de Goiás. A agência trabalha em parceria com o governo distrital na contenção e na erradicação do foco, que também pode atingir outras áreas de produção de vinho no próprio Distrito Federal.
O presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta, afirmou que a atuação conjunta busca evitar a disseminação da doença. “Estamos atuando para erradicar e conter esse foco”, disse. Segundo ele, Goiás e Distrito Federal têm um acordo de cooperação e mantêm uma parceria para lidar com o problema sanitário.
Produção em expansão
O alerta ocorre durante o crescimento da vitivinicultura goiana. A produção de uvas reúne pequenas propriedades, vinícolas e atividades ligadas ao turismo, incluindo o enoturismo. Para Caixeta, o cultivo tem potencial de expansão no agronegócio do estado.
Vinhos produzidos em Goiás já receberam reconhecimento internacional. Há duas vinícolas no Vale do São Patrício com rótulos premiados em eventos e competições na Europa. Também há produtores de referência na região da Serra dos Pireneus, em Pirenópolis, Corumbá e Cocalzinho.
Em março, foi inaugurado o Centro de Análises e Pesquisa da Vitivinicultura Brasileira, o primeiro laboratório desse tipo na Região Centro-Oeste. A estrutura faz análises físico-químicas e cromatográficas, acompanha a maturação das uvas e realiza exames voltados à segurança dos produtos.
O laboratório recebeu investimento superior a R$ 12 milhões. Entre as vinícolas que podem usar o serviço estão Casa Moura, de Nazário; Quartetto, de Águas Lindas de Goiás; e Serra das Galés, de Paraúna. As três são associadas à Associação Nacional dos Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), mas o espaço também pode atender outros produtores.
A estrutura diminui a necessidade de enviar amostras para laboratórios da Região Sul, alternativa usada por produtores do Centro-Oeste. O funcionamento ocorre durante o avanço dos chamados vinhos de inverno e da produção em municípios como Pirenópolis, Cocalzinho de Goiás, Cristalina e Corumbá de Goiás.
Vigilância sobre novas culturas
A Agrodefesa também monitora riscos relacionados ao crescimento de outras frutas e culturas agrícolas. Na citricultura, a chegada de novos pomares a Goiás foi acompanhada pelo greening, doença apontada por Caixeta como um dos principais desafios da produção de laranja.
“À medida que a atividade começa a crescer e ganhar volume, as pragas também começam a aparecer”, afirmou. De acordo com o presidente da agência, as equipes acompanham os primeiros sinais de novas pragas e os riscos associados ao desenvolvimento dessas atividades.
Entre as ameaças monitoradas está ainda a vassoura-de-bruxa da mandioca, atualmente concentrada na Região Norte do país. A Agrodefesa participa de uma força-tarefa nacional para manter a doença restrita à região e evitar sua migração para outras culturas.







