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Ordem criminosa fechou comércio e mudou rotina no Real Conquista em 2015
Brasil

Ordem criminosa fechou comércio e mudou rotina no Real Conquista em 2015

Ameaça levou moradores a ficar em casa, esvaziou serviços e expôs a insegurança vivida em Goiânia durante aquele período.

Uma ameaça transmitida por criminosos alterou a rotina do Residencial Real Conquista em 23 de novembro de 2015. Comerciantes fecharam os estabelecimentos, moradores evitaram sair, uma escola ficou vazia e o posto de saúde deixou de funcionar. Cerca de 12 mil pessoas viviam na região naquele período.

A ordem era para que ninguém permanecesse nas ruas a partir das 8h. O aviso teria sido dado depois da morte de um jovem de 23 anos, atribuída a integrantes de um grupo rival. Em resposta, pessoas ligadas ao grupo do rapaz teriam determinado o fechamento dos comércios em homenagem à vítima.

Comerciantes receberam o aviso cedo

César Moraes tinha um salão de beleza masculino no bairro e costumava trabalhar de segunda a sábado, das 9h às 20h. Naquele dia, chegou por volta das 7h30 para limpar o local. Um adolescente apareceu e informou que os estabelecimentos deveriam fechar.

O comerciante encerrou o expediente antes de começar e foi para casa. Outros lojistas fizeram o mesmo. Mesmo longe da rua, César continuou receoso de que a ameaça pudesse atingir sua família.

Meses antes, sua filha havia sido assaltada durante o dia, quando saía para a escola. Dois homens em uma moto levaram o celular dela. Para César, aquele episódio mostrava que a violência já fazia parte do cotidiano do bairro. “A gente não tinha um dia de paz”, afirmou.

Áurea Oliveira também abriu a loja de utilidades no horário habitual. Ela morava no Real Conquista havia 17 anos e atendia principalmente trabalhadores que passavam pelo comércio antes de seguir para o trabalho. Depois de ser abordada e ameaçada, baixou as portas e voltou para casa.

A comerciante contou que o filho foi orientado a retornar quando saía para o trabalho, enquanto a filha já estava fora. Durante o dia, Áurea viu um helicóptero sobrevoar a região e passou a temer a possibilidade de uma troca de tiros. Ela também relatou ter presenciado episódios de violência armada em outras ocasiões no bairro.

Operação policial mudou o trajeto de moradores

Maria da Conceição trabalhava como doméstica e já estava fora do Real Conquista quando soube do fechamento pela televisão. A preocupação passou a ser como conseguiria voltar para casa.

Ao chegar ao Terminal Garavelo para embarcar na linha 326, encontrou outros passageiros apreensivos. Na entrada do bairro, todos precisaram descer do ônibus durante uma operação policial e depois retornar ao veículo para seguir viagem.

Maria disse que nunca havia visto tantos policiais no setor. Na percepção dela, a presença de viaturas era rara nos dias anteriores. “Todo mundo estava muito tenso. Ninguém sabia como seria”, relatou.

Violência e política de segurança

O episódio ocorreu durante o quarto mandato de Marconi Perillo (PSDB) à frente de Goiás. A administração estadual era responsável pela política de segurança pública e pelas forças policiais do Estado.

Indicadores referentes a 2015 registraram 2.651 homicídios dolosos em Goiás, com taxa de 40,1 assassinatos por 100 mil habitantes. Também foram contabilizados 137 latrocínios e 25 casos de lesão corporal seguida de morte. Naquele levantamento, Goiás aparecia como o quinto Estado mais violento do país.

Em Goiânia, foram registrados 553 assassinatos, 30 latrocínios e três casos de lesão corporal seguida de morte. Roubos e furtos de veículos somaram 11.613 ocorrências.

As administrações de Marconi também tiveram investimentos na área, como a criação do Comando de Operações de Divisas (COD), a compra de equipamentos e viaturas e ações no sistema prisional. Ao mesmo tempo, houve conflitos com policiais civis, que fizeram uma paralisação em 2013 por quase três meses, reivindicando mudanças salariais, na carreira e no bônus por produtividade.

O Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve), criado em 2012, também entrou no debate. O programa utilizava temporários no policiamento com remuneração e direitos diferentes dos militares efetivos. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a legislação que sustentava o modelo.

Moradores relatam melhora após onze anos

Em 2026, o histórico da segurança pública voltou ao debate com a disputa de Marconi Perillo pelo Governo de Goiás. Os moradores entrevistados também compararam o período da ameaça com a situação atual do Real Conquista.

César afirmou perceber uma resposta policial mais rápida e menos ocorrências no cotidiano. Áurea disse que voltou a circular pelo bairro à noite e nota mais policiais nas ruas. Maria também relatou redução de roubos em ônibus e de arrastões, além de uma presença policial maior em diferentes pontos da cidade.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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