SÃO PAULO — A Anvisa ampliou em 2026 as opções de medicamentos injetáveis para diabetes tipo 2 e obesidade no Brasil. Foram aprovadas 12 canetas: dez à base de semaglutida e duas de liraglutida.
A expansão ocorreu principalmente após o fim da exclusividade da semaglutida da Novo Nordisk, em 20 de março. A substância é usada nas marcas Ozempic e Wegovy e atua sobre os receptores de GLP-1, ajudando no controle da glicose, na redução do apetite e no aumento da saciedade.
A endocrinologista Bruna Marinho, do Hospital Felício Rocho, em Ribeirão Preto, afirma que a decisão deve considerar o diagnóstico, a necessidade de perda de peso, outras doenças, os estudos disponíveis e a possibilidade de manter o tratamento por meses ou anos. Os medicamentos não são automaticamente intercambiáveis, e a escolha não deve ser feita apenas pelo preço.
Novas opções de semaglutida
O Ozivy, da EMS, foi aprovado em 26 de maio e chegou às farmácias com valores anunciados entre R$ 452 e R$ 498 por caneta. Em 29 de julho, receberam registro o Owozy, da Ávita Care; o Seemasun, da Sun Farmacêutica; o Zempneo, da Brainfarma; o Semavy, da Cosmed; e o Orsema, da Ranbaxy.
Em 17 de agosto, a EMS obteve o registro do primeiro genérico de semaglutida do país, sem nome comercial. Na mesma data, a Germed teve aprovado o Semaclique, similar. Em 24 de agosto, a empresa recebeu o registro do segundo genérico da substância. O Yluméc, da EMS, foi aprovado em 31 de agosto, como similar na modalidade clone.
O Ozempic é vendido por R$ 975 nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg pelo programa Preço NovoDia no comércio eletrônico, enquanto a apresentação de 1 mg custa R$ 999. Como os genéricos devem ter preço pelo menos 35% menor que o medicamento de referência, a estimativa baseada nos valores de lançamento do Ozivy fica entre R$ 293 e R$ 323.
Os demais produtos precisam passar por etapas antes de chegar às farmácias, incluindo a definição de preço pela CMED.
Liraglutida e outros medicamentos
Na última terça-feira (8), a Anvisa aprovou dois genéricos de liraglutida produzidos pela EMS para obesidade e diabetes tipo 2. Eles têm como matriz o Olire, indicado para obesidade, e o Linux, destinado ao diabetes tipo 2. Ambos são comercializados em canetas de 6 mg e anunciados a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias na internet.
A liraglutida costuma exigir aplicação diária, enquanto a semaglutida e a tirzepatida são administradas, em geral, uma vez por semana. Para o endocrinologista Júlio Américo Batatinha, a frequência de uso reduziu o espaço da liraglutida diante de medicamentos mais recentes.
O Mounjaro, da Eli Lilly, continua sendo a única opção aprovada pela Anvisa com tirzepatida, que permanece sob patente no Brasil. Já o Trulicity, também da Eli Lilly, é o medicamento de referência da dulaglutida, sem versões genéricas ou similares no país.
Os efeitos colaterais também entram na avaliação. Esses medicamentos podem causar náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e outras alterações do hábito intestinal. Alana Rocha, professora de endocrinologia da Afya Educação Médica Vitória, afirma que a transição entre tratamentos depende das doenças associadas e da tolerabilidade de cada paciente.








