Poços de Caldas, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
A próxima viagem começa aqui
Como Cury, 'gestor da emoção', supera ex-governadores na busca ao Planalto
Foto: Diego Vara - 1º.set.26/Reuters
Brasil

Augusto Cury cresce nas pesquisas e leva discurso de pacificação à campanha presidencial

Candidato do Avante aparece em terceiro nas pesquisas, aposta nas redes sociais e apresenta propostas baseadas na chamada Gestão da Emoção.

Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência, passou a aparecer em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, à frente dos ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Ele fica atrás de Lula e Flávio Bolsonaro. A Quaest registrou 10% das intenções de voto para o escritor, enquanto a BTG/Nexus apontou 11%, alta de nove pontos em uma semana. O Datafolha também identificou crescimento, mas em ritmo menor.

O avanço ocorreu depois de Cury ampliar a exposição pública. Ele participou do debate da TV Bandeirantes, no último dia 23, e foi sabatinado pelo Jornal Nacional no dia 29. A principal aposta da campanha, porém, está nas redes sociais: o candidato soma 10,7 milhões de seguidores no Instagram, pouco abaixo dos 11,4 milhões de Flávio Bolsonaro.

Redes sociais e estratégia eleitoral

Dados da plataforma Palver indicam que as citações a Cury subiram de 2.309 em julho para 27.678 em agosto. Entre os dias 23 e 31, foram 24.046 menções, equivalentes a 87% do total registrado no mês.

A campanha afirma que o crescimento é orgânico. O aumento da visibilidade veio acompanhado de especulações sobre uso de robôs e financiamento proibido de influenciadores. Um estrategista eleitoral ouvido sob anonimato considerou desproporcional a expansão diante da audiência do debate, estimada em cerca de dois pontos.

Entre 2018 e 2020, Cury foi sócio de Leandro Aguiari na Academia de Gestão da Emoção, plataforma de cursos baseada nas teorias do escritor. Aguiari também foi coprodutor do curso “Ascensão dos Improváveis”, de Pablo Marçal. Para ele, o crescimento eleitoral de Cury está relacionado à imagem de um “homem comum”.

O lançamento do comitê da campanha em Minas Gerais ocorreu com a criação da Casa Cury. Segundo o candidato, o espaço deve “acolher as pessoas e ouvir as dores delas”.

Discurso e propostas

Aliados dizem que Cury planeja entrar na política há pelo menos uma década. Antes de se filiar ao Avante, conversou com Aécio Neves, presidente do PSDB, e Gilberto Kassab, do PSD. O partido tem cinco deputados e um senador, Marcos do Val, que afirma votar em Flávio Bolsonaro.

O marqueteiro Leandro Grôppo, responsável pelas duas campanhas de Romeu Zema ao governo mineiro, apresentou a avaliação de que mais da metade da população não se interessa pelas disputas entre direita e esquerda. A partir disso, Cury adotou o mote: “Só há uma via, a via da pacificação”.

O candidato é casado com Suleima Cury há 43 anos e tem três filhas: Camila, Carol e Claudia. Camila, a filha mais velha, disse ter tentado convencê-lo a desistir. A resposta atribuída a Cury foi: “Filha, está na minha hora”.

Cury declara patrimônio de R$ 242 milhões e é o candidato mais rico da disputa presidencial. Em seu programa de governo, promete ampliar o uso da inteligência artificial na segurança e no combate à corrupção, criar um aplicativo para acionar a polícia e ampliar a telemedicina para desafogar o SUS.

Na economia, afirma que buscará déficit fiscal próximo de zero, controle dos gastos e redução gradual da dívida pública. Também promete gerar 10 milhões de novos empreendedores. Na saúde, propõe o Programa Nacional de Saúde Mental. Para a segurança, defende recriar o Ministério da Segurança Pública e adotar lista tríplice para a escolha do delegado-geral da Polícia Federal.

Para o STF, Cury propõe mandato de oito anos, idade mínima de 50 anos e redução das atuais 11 cadeiras para 9, com pelo menos 3 mulheres.

Críticas à Gestão da Emoção

A chamada Gestão da Emoção aparece mais de 30 vezes no plano entregue à Justiça Eleitoral e está na base dos livros e palestras de Cury. O documento também cita Friedrich Nietzsche, Hannah Arendt e Immanuel Kant.

A psiquiatra Elisa Brietzke, professora titular da Queen's University, no Canadá, critica o uso da “síndrome do pensamento acelerado” como uma síndrome independente. Segundo ela, o conceito não aparece na classificação de doenças da OMS nem no manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria.

Brietzke afirma que sintomas associados à chamada SPA podem ter causas diferentes, como apneia do sono, depressão, hipotireoidismo, TDAH, ansiedade e transtorno bipolar. Para a psiquiatra, explicações simplistas podem afastar pacientes dos recursos necessários para o tratamento.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5