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Célia Coutinho uniu poesia, memória e defesa do Cerrado em Goiás
Brasil

Célia Coutinho uniu poesia, memória e defesa do Cerrado em Goiás

Escritora goiana transformou paisagens, vozes femininas e história em literatura, com destaque para a obra “A Mulher, a História e Goiás”.

Célia Coutinho Seixo de Britto foi escritora, poetisa, artista visual, biógrafa e cronista. Nascida na Cidade de Goiás, em 1914, ela morreu em 1994, aos 80 anos, em Goiânia. Sua produção aproximou literatura e artes visuais ao articular paisagens, memória, história e a experiência feminina.

Célia fez o curso Normal em sua cidade natal e se formou em Artes Visuais pela Escola Goiana de Belas Artes. Também integrou a Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás e a Academia Trindadense de Letras. Casada com Hélio Seixo de Britto, foi primeira-dama de Goiânia de janeiro de 1961 a janeiro de 1966.

A obra da autora é apresentada como uma combinação entre palavra e imagem, com atenção ao papel social e ético da literatura. Para Bento Fleury, escritor, historiador e estudioso das vozes femininas na literatura em Goiás, Célia transformou a palavra em resistência ao esquecimento, ao silenciamento das mulheres e da natureza e ao apagamento das vozes do Cerrado.

Esse aspecto aparece em “A Mulher, a História e Goiás”, de 1982. O livro reúne biografias acompanhadas de ilustrações e de uma linguagem descrita por Fleury como viva e próxima, distante do modelo formal do gênero.

Outro destaque é o poema “As ninphas goianas e o papiro”, de 1974. Na leitura de Bento Fleury, o texto apresenta um cenário goiano povoado por ninfas, náiades e oréadas que dançam sobre a Serra Dourada. Nesse espaço mítico, natureza e divindade se misturam até a chegada do bandeirante colonizador, que rompe o idílio e representa uma transformação ecológica e civilizatória.

As ninfas, antes ligadas à fertilidade e à harmonia, passam a simbolizar perda e mudança. Ao fugir, convertem-se em papiros, árvores associadas ao papel. O desfecho conecta paisagem, escrita e memória: a natureza se torna texto, enquanto o texto devolve voz à natureza. Tovar resume a ruptura dessa relação ao afirmar que “o homem civilizado esqueceu-se de ser filho da Mãe Terra e se fez senhor da natureza”.

Embora tenha se dedicado principalmente às crônicas e biografias, Célia articulou mito, história e geografia em sua poesia. Sua produção dialoga com o sublime, a tradição barroca e o lirismo feminino, além de apresentar uma reflexão ambiental que o texto associa à ecopoesia.

Publicações

“A mulher, a história e Goiás” teve uma 2ª edição em Goiânia, em 1982. “Estrangeiros Radicados em Vila Boa e Outras Terras de Goyaz” e “Nossos Vestidos Brancos” foram lançados simultaneamente em Goiânia, em 2019, como obras póstumas. Os livros foram organizados, reescritos e complementados a partir de manuscritos da autora por Bento Alves Araújo Jaime Fleury Curado, escritor, geógrafo e pesquisador professor-doutor.

A trajetória de Célia também inclui a atuação como primeira-dama e a participação em instituições literárias de Goiás. Elizabeth Abreu Caldeira Brito, autora do perfil, é psicóloga e escritora, mestra em Letras e Críticas Literárias, vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, ex-presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás e filiada à União Brasileira de Escritores-Seção Goiás.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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