A Meta foi condenada nos Estados Unidos a pagar 18 bilhões de dólares por desenvolver mecanismos para prolongar o uso de Facebook e Instagram por crianças e adolescentes. O valor deverá ser quitado ao longo de dez anos, o que representa 1,8 bilhão de dólares por ano.
A condenação considera que a empresa tinha conhecimento dos riscos de dependência e de danos à saúde mental. O caso envolve usuários de até 13 anos e menciona o Children’s Online Privacy Protection Act (Coppa). As alegações dos processantes descrevem os algoritmos como uma forma de manipulação da dopamina e defendem mudanças no funcionamento das plataformas.
A União Europeia também quer que a Meta altere o chamado design viciante dos serviços. No processo americano, os mecanismos digitais são comparados à distribuição de drogas que podem causar dependência.
Cigarros e opioides
A ação contra a Meta é apresentada como a mais recente de uma sequência de processos de grande valor nos Estados Unidos. Em 1998, as quatro maiores empresas de cigarros do país foram condenadas a pagar 206 bilhões de dólares, em um acordo previsto para ser cumprido ao longo de 25 anos. O pagamento anual ficou em pouco mais de 8 bilhões de dólares.
Entre a alta inicial e 2001, houve aumento médio de 1,19 dólares no preço de cada maço. A elevação transferiu parte do custo do acordo para os consumidores. O caso foi retratado no filme “O Informante”, dirigido por Michael Mann, com Al Pacino e Russel Crowe no elenco.
A história também envolve a Purdue Pharma, empresa da família Sackler responsável pelo OxyContin. Em dezembro de 1995, a Food And Drug Administration aprovou o medicamento, que passou a ser vendido em grande escala. O Centers for Disease Control and Prevention classificou como epidemia dos opioides o cenário associado ao produto.
Depois dos opioides prescritos, vieram drogas como heroína e fentanil. O texto relaciona esses medicamentos a quase 1 milhão de mortes.
Entre os livros sobre o tema estão “Pain Killer: An Empire of Deceit and the Origin of America’s Opioid Epidemic”, de Barry Meyer, publicado em 2003; “Dreamland: The True of America’s Opiate Epidemic”, de Sam Quinones, de 2015; e “Império da Dor — A Ascensão e Queda da Dinastia Sackler”, de Patrick Radden Keefe, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca em 2023.
Também são citados o livro “No Digas Nada”, de Keefe, publicado pela Penguin House em 2020, e o filme “The Social Reckoning”, escrito e dirigido por Aaron Sorkin, com previsão de lançamento no Brasil para outubro.







