GOIÁS — Os confinamentos avaliados pela Expedição PeseBem somam capacidade para 755 mil cabeças, mas tinham 501 mil animais em uso. A diferença representa ociosidade de 34%, equivalente a aproximadamente 254 mil cabeças. Entre as unidades com capacidade para até mil animais, o índice chega a 77%.
O levantamento reuniu informações de mais de 100 confinamentos em Goiás. Cinquenta propriedades foram visitadas diretamente, enquanto outras 52 tiveram dados coletados por técnicos. A análise considerou custos de produção, condições sanitárias, tecnologia e gargalos enfrentados pelos pecuaristas.
Reposição pesa nas margens
A disponibilidade menor de animais elevou o custo de reposição. O boi confinado é comercializado na faixa de R$ 340 a R$ 350 por arroba, enquanto o boi magro chega a aproximadamente R$ 400 por arroba.
Armando Rollemberg, presidente do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), apontou a reposição como um dos principais desafios do próximo ciclo. “Esse ágio do boi magro está muito apertado e apertando as margens do confinamento”, afirmou.
Alexandre Reis, coordenador do Programa PeseBem, explicou que a mudança depende da retenção de fêmeas e do aumento da produção de bezerros. Esse processo leva em torno de três anos, e a expectativa é de reversão do ciclo a partir do ano que vem.
A menor oferta de animais se soma à demanda externa, especialmente da China. Para Reis, a combinação pode elevar o custo por arroba e chegar ao preço da carne no supermercado nos próximos meses. Apesar da pressão, ele afirmou que o Brasil mantém elevada competitividade internacional no custo da arroba.
Mercado externo e estrutura
Embora 44% das unidades pesquisadas vendam exclusivamente para o mercado interno, os estabelecimentos exportadores concentram 97% do volume analisado. Na destinação total da produção, 80% seguem para o mercado externo e 20% permanecem no país.
A expedição também identificou quedas de energia como o principal gargalo entre os produtores consultados. O sinal de celular aparece na sequência, seguido por qualificação da mão de obra, qualidade das estradas e rotatividade operacional. Energia elétrica, trabalhadores e cobertura de telefonia foram citados como obstáculos à expansão da atividade.
Mesmo com essas limitações, o levantamento encontrou animais superprecoces abatidos aos 14 meses, com média de 23 arrobas. Também houve avanço da terminação intensiva a pasto e da integração lavoura-pecuária.
Custos e planos de investimento
A diária média de confinamento ficou em R$ 14,84 por cabeça. Nos estabelecimentos classificados como boitel, chegou a R$ 15,79; nos demais, foi de R$ 14,49. Para vacas, o custo indicado foi de R$ 13,64 e, para novilhas, R$ 12,22.
Entre as propriedades analisadas, 74% não possuem seguro e 41% usam algum mecanismo de proteção de preços. Outros 40% dos entrevistados não souberam informar a rentabilidade anual da atividade.
A compra de boi magro ocorre em 66% das unidades, enquanto 58% têm recria própria. A terminação intensiva a pasto está presente em 37% das propriedades, e 26% prestam serviço de boitel. O Nelore aparece em 83% das unidades.
Melhorias estruturais foram citadas por 47% dos entrevistados, e a aquisição de equipamentos, por 15%. Juntos, os grupos representam 62% dos produtores com intenção de investir. A mão de obra foi mencionada por 16%.
No bem-estar animal, 76% informaram adotar manejo racional e 49% usam aspersores contra poeira. Estruturas de sombreamento estão presentes em 26% das propriedades. Já 92% destinam os dejetos à compostagem ou à adubação da própria lavoura.








