SÃO PAULO — Voos já programados poderão ser concluídos depois das 23h no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, quando houver uma situação de contingência sistêmica. A autorização foi aprovada pela diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e se baseia na interpretação de uma resolução de 2008.
A medida alcança viagens afetadas por eventos climáticos e problemas operacionais significativos. A operação pode ser retomada de forma parcial ou completa para evitar a interrupção dos deslocamentos já iniciados. Em dias normais, contudo, o funcionamento segue restrito ao período entre 6h e 23h.
A decisão foi tomada após solicitação da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), apresentada em maio. A entidade também prepara uma carta de acordo operacional com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), a concessionária Aena e Azul, Gol e Latam. O documento deverá estabelecer critérios objetivos para autorizar operações fora do horário regular.
Casos considerados
Durante a análise, foram citados dois episódios que afetaram mais de 120 mil passageiros. Em abril deste ano, o aeroporto foi evacuado após uma suspeita de vazamento de gás em uma área de controle do tráfego aéreo. Outro caso ocorreu em dezembro de 2025, durante um temporal com ventos de quase 100 km/h.
A área técnica da Superintendência de Infraestrutura Aeroportuária informou à diretoria que o entendimento pretende dar uma resposta a eventos excepcionais devidamente caracterizados. A avaliação considera os riscos de uma sequência de impactos operacionais, como arremetidas, alternâncias e retornos ao portão.
Dados da concessionária Aena registraram duas ampliações de funcionamento em 2026, até junho, e outras cinco em 2025. As associações de moradores se posicionaram contra a mudança por temer que situações excepcionais passem a ocorrer com mais frequência.
A deliberação teve manifestação de votos entre 1º e 4 de setembro, após a inclusão do tema como extrapauta. O processo foi relatado por Cláudio Beschizza Ianelli e acompanhado pelo diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, além dos demais integrantes do colegiado.








