GOIÂNIA — Daura Sabino conhecia Goiânia antes de começar a escrever sobre ela. Estilista, modista e proprietária da Maison Daura, ela circulava entre famílias tradicionais, políticos, empresários e primeiras-damas quando passou a atuar como colunista social, em 1977.
Nascida em Rio Verde, no Sudoeste de Goiás, Daura chegou a Goiânia ainda na infância. A família se transferiu para a capital em 1938, quando a cidade ainda estava em construção. Ela estudou no Colégio Nossa Senhora das Dores, passou por Belo Horizonte e cursou Direito na Universidade Federal de Goiás até o terceiro ano. Mais tarde, estudou Jornalismo.
Antes da redação, porém, a moda foi seu principal território. A Maison Daura, ligada também à irmã Tereza Sabino Louza, aparece em registro de 1968 como empreendimento de sua propriedade. A partir dos anos 1950, Daura confeccionou roupas para Gercina Borges Teixeira, mulher de Pedro Ludovico Teixeira. A proximidade entre as duas foi além da relação profissional: Daura foi madrinha do casamento de Maria Dulce Loyola Teixeira com Ubiratan Estivallet Teixeira, neto de Gercina e Pedro.
Durante o governo Mauro Borges, Daura participou de eventos de moda no Palácio das Esmeraldas e ajudou a aproximar Goiás de nomes da alta-costura brasileira, como Dener Pamplona de Abreu e Clodovil Hernandes. Também foi homenageada em São Paulo e em países europeus como Espanha, França, Inglaterra e Alemanha.
A chegada ao colunismo
A estreia de Daura como jornalista social foi marcada por uma festa no Clube de Regatas Jaó, em maio de 1977. A recepção reuniu o governador Irapuan Costa Junior e Lúcia Vânia Abrão Costa. Marco Antônio da Silva Lemos apresentou a nova jornalista e, nos primeiros tempos, ajudou a transformar em texto as informações que ela levava à redação.
Daura já tinha o que nenhum manual poderia ensinar: conhecimento das famílias, dos hábitos, das relações e dos bastidores da sociedade goianiense. Sua força também estava no que escolhia não publicar. Ela sabia preservar informações e, muitas vezes, compartilhava com jornalistas apenas o que considerava adequado.
A expressão “Sair na Daura” passou a representar uma forma de reconhecimento social. Ainda assim, sua atuação não se limitava a registrar festas. Em 1978, ela acompanhou a apresentação de Margot Fonteyn e David Wall no Teatro Goiânia. Relatou a noite, o público, os bailarinos, a presença de Pedro Ludovico e a recepção no Palácio das Esmeraldas.
As colunas também preservaram detalhes sobre roupas e comportamento. Em março de 1997, Daura registrou Fátima Gomide usando um modelo em cetim marrom e preto assinado por ela. A estilista continuava presente na jornalista.
Daura integrou uma família ligada ao direito, à literatura, ao jornalismo e aos idiomas. O irmão Homero Sabino de Freitas foi desembargador e presidiu o Tribunal de Justiça e a Associação dos Magistrados do Estado de Goiás. Oscar Sabino foi jornalista, escritor e crítico literário; Lenine atuou como professor de inglês e tradutor.
Sua casa na Rua 20, no Centro, foi demolida em maio de 2013. Em 2002, Daura recebeu uma homenagem que a chamou de “primeira-dama do colunismo goiano”, celebrando 25 anos de trajetória.
Daura enfrentou um câncer de mama e morreu em Goiânia na noite de 10 de outubro de 2011, em decorrência de complicações da doença. Solteira, não deixou descendentes nem ascendentes.
O que permaneceu foi o arquivo de uma mulher que vestiu parte da sociedade goiana, acompanhou mudanças na capital e registrou o cotidiano enquanto ele ainda parecia passageiro. Ao lado de festas, roupas e recepções, suas páginas guardaram relações, costumes e transformações de Goiânia.








