A mudança para o Rio de Janeiro não aconteceu, mas por pouco não alterou a trajetória de um jornalista que trabalhava no Diário da Manhã, em Goiânia. Em 1989, ele recebeu uma ligação de Zuenir Ventura e ouviu a oferta de ajuda para encontrar emprego na cidade, possivelmente no Jornal do Brasil.
O contato foi intermediado por Washington Novaes, que havia passado ao escritor o telefone do jornal. Os dois jornalistas já tinham trabalhado juntos na edição de um livro-caderno sobre a Ferrovia Norte-Sul, com participação de Britz Lopes, Fábio Nasser, Carmo Bernardes, Eloí Calage e Antônio Soh.
Zuenir ligou para comentar uma resenha sobre “1968 — O Ano Que Não Terminou”, livro cuja primeira edição é de 1989. Ele disse ter gostado do texto, especialmente da identificação de erros, e afirmou que faria as correções. Também pediu desculpas pelas falhas apontadas.
Durante a conversa, o escritor perguntou sobre a formação do jornalista. Soube que ele havia se formado em Jornalismo e História e iniciado Filosofia. O jornalista também contou que era da primeira turma da Universidade Federal de Goiás, de 1981, cuja aula inaugural foi ministrada por Marilena Chauí.
A decisão que ficou para depois
Zuenir Ventura ofereceu acolhê-lo inicialmente em sua casa e disse que procuraria um lugar para ele trabalhar. Washington Novaes reforçou a recomendação: se quisesse ir, o jornalista teria nele um guia no Rio.
Com 27 anos, ele comunicou a Batista Custódio, editor-geral do Diário da Manhã, que pretendia deixar Goiânia. A resposta inicial foi de desconfiança, como se o pedido fosse uma tentativa de conseguir aumento. No dia seguinte, porém, Batista Custódio, na presença de Luiz Contart, propôs elevar seu salário e retomar a conversa sobre a mudança dali a dois meses.
O jornalista aceitou. A transferência acabou não ocorrendo, e ele nunca mais falou com Zuenir Ventura. Continuou mantendo contato com Washington Novaes e acompanhando seus textos no Estadão e na Gazeta Mercantil, além de ter aprendido com ele a observar com mais atenção os temas ambientais.
O arquivo do Diário da Manhã está no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A resenha procurada pode estar entre os documentos preservados pela instituição.






