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Morre aos 95 anos o jornalista e escritor Zuenir Ventura
Brasil

Morre aos 95 anos o jornalista e escritor Zuenir Ventura

Membro da Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), em casa, no Rio de Janeiro.

O jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela ABL. Ele deixa a mulher, Mary, os filhos Elisa e Mauro e os netos Alice e Eric.

Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, no sul de Minas Gerais, Zuenir passou a infância em Ponte Nova. Aos onze anos, mudou-se com a família para Nova Friburgo. Na juventude, acompanhou o pai no trabalho como pintor de paredes, atuou em comércios e jogou basquetebol. Como bolsista, começou a dar aulas para alunos mais novos e descobriu a vocação de professor.

Jornalismo e literatura

Depois, foi para o Rio de Janeiro em busca do diploma do magistério e cursou letras neolatinas na atual UFRJ. Entre seus professores estavam Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima. Ainda estudante, começou a carreira como arquivista na Tribuna da Imprensa, jornal de Carlos Lacerda.

No começo dos anos 1960, passou por uma formação em jornalismo em Paris. Também trabalhou no Correio da Manhã, nO Cruzeiro, Fatos e Fotos, Visão, Veja, Isto É e Jornal do Brasil. Como professor e jornalista, formou profissionais que o chamavam de Mestre Zu.

Sua produção abordou temas como a juventude dos anos 1960, a ditadura no Brasil, a exploração da Amazônia e a violência ligada ao combate às drogas. Em “1968 – O Ano que não Terminou”, retratou a década marcada por conflitos políticos e sociais. Na série “O Acre de Chico Mendes”, publicada no Jornal do Brasil, tratou do assassinato do líder seringueiro e de seus efeitos.

Zuenir também escreveu “Cidade Partida”, depois de acompanhar a vida em Vigário Geral nos meses seguintes à chacina dos anos 1990 na comunidade carioca. A obra ficou em segundo lugar na categoria reportagem do Jabuti de 1995.

Prêmios e Academia Brasileira de Letras

Pela série sobre Chico Mendes, recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog em 1989. Em 2008, dividiu com Caco Barcellos, Henfil, José Hamilton Ribeiro e Ricardo Kotscho o Troféu Especial de Imprensa ONU, concedido a profissionais que se destacaram na defesa dos direitos humanos na mídia.

Em 2005, lançou “Minhas Histórias dos Outros”, livro sobre personalidades com as quais conviveu, entre elas Glauber Rocha, Betinho e Carlos Drummond de Andrade. A obra também narra a relação com Genésio Ferreira da Silva, testemunha do assassinato de Chico Mendes que Zuenir conheceu no Acre e acolheu em sua casa, no Rio, dos 13 aos 21 anos.

O autor publicou ainda o romance “Sagrada Família”, em 2012, baseado em memórias da infância e da adolescência. Em 2015, tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira que havia sido de Ariano Suassuna.

Zuenir conheceu Mary Akiersztein em 1962, quando trabalhava na Tribuna. Em 1968, os dois foram presos e levados ao Dops do Rio. Ela ficou detida por um mês, e ele, por três. Parte do período foi compartilhada com os escritores Ziraldo e Hélio Pellegrino.

Em 2022, Zuenir afirmou que havia feito uma pausa na escrita. “Só tem notícia ruim. Não dá para escrever sem vontade”, disse ao comentar o cenário do Brasil e do exterior.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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