A CEO da Sigma Lithium, Ana Cristina Cabral, fez uma doação de R$ 100 mil à campanha de Mateus Simões (PSD) em 1º de setembro, 11 dias depois de um acordo com o governo de Minas Gerais encerrar o embargo ambiental contra a mineradora.
O Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi assinado em 21 de agosto e encerrou a medida aplicada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) em maio. Na ocasião, a empresa recebeu uma multa de R$ 2,7 milhões. A Sigma Lithium opera em Itinga e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha.
Entre as irregularidades apontadas pela Feam estão a captação de água em nascente sem autorização e o aterramento de quatro cursos d’água para a instalação de pilhas de estéril. O órgão também registrou armazenamento de materiais com risco de contaminação fora das normas técnicas.
Cabral afirmou que o pagamento foi registrado em seu próprio CPF e declarou: “Doei às claras, no meu CPF, 100% declarado, 100% legal.” Ela também disse que não recebe dividendos da Sigma e que faria a doação novamente.
O que diz Mateus Simões
Simões nega irregularidades. O governador afirma que a decisão sobre o TAC já havia sido tomada antes do recebimento do dinheiro e considera o episódio externo à sua função no Executivo. Em sabatina promovida por O Globo, Valor e Rádio CBN nesta quarta (23), disse: “o governo já tinha tomado a decisão”.
O embargo também afetou um empréstimo de quase R$ 500 milhões que a mineradora negociava com o BNDES. Em setembro, a Justiça paralisou a mina após uma ação de comunidades quilombolas. Em junho, o TJMG havia suspendido um depósito de R$ 50 milhões da empresa por danos socioambientais.
A doação está declarada em nome da CEO, com CPF identificado. Até a conclusão da apuração, nenhum adversário de Simões na disputa pelo governo de MG havia se manifestado publicamente sobre o caso. O TRE-MG também determinou a retirada do ar de um vídeo de Simões sobre o vice de Cleitinho.







