NOVA YORK — Especialistas defenderam adaptação, resiliência e cooperação para enfrentar eventos climáticos extremos, durante o Fórum Agenda Global 2026, realizado nesta segunda-feira (21). Entre os alertas apresentados esteve a possibilidade de o El Niño deste ano se tornar o mais forte em mais de um século, com impactos previstos até 2027.
Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para Amazônia e professor da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o fenômeno já é muito forte. Segundo ele, a temperatura do oceano Pacífico equatorial central passou de 2 graus acima da média no começo de setembro, e os sistemas de previsão indicam que a alta ainda pode superar 2,5 graus.
O pesquisador comparou a possível intensidade do fenômeno aos eventos de 1877, 1878 e 1879. Nobre disse que é preciso estar “muito preparado” principalmente entre outubro de 2026 e janeiro de 2027. O El Niño pode durar até março/abril e terminar em maio/junho, segundo ele.
Impactos previstos
Nobre apontou a possibilidade de um grande impacto na produção agrícola. Ele também citou o aumento das chuvas no Sul do Brasil desde junho, acompanhado de maior volume de tornados. Na Amazônia, uma seca muito forte já começou, enquanto os incêndios estão aumentando e podem crescer ainda mais nos próximos meses.
A preocupação também envolve o Cerrado e o Nordeste. Para Nobre, evitar o fogo é uma prioridade, já que a principal causa dos incêndios continua sendo a ação humana. Ele defendeu o combate ao crime organizado e alertou para os efeitos dos eventos extremos sobre a saúde da população.
O professor também criticou o ritmo dos compromissos internacionais para reduzir e zerar emissões. Na avaliação dele, novas explorações de combustíveis fósseis representam um risco, e o Brasil tem condições de zerar as emissões líquidas em 2040, desde que esse esforço seja acompanhado pelo restante do mundo.
Resiliência e investimentos
Nobre afirmou que eventos extremos continuarão acontecendo e que a adaptação será necessária, porque não é possível reduzir o El Niño nem as temperaturas já associadas ao aquecimento global. Ele defendeu a aceleração do fim do uso de combustíveis fósseis.
Jens Nielsen, fundador e CEO do World Climate Foundation, disse que o debate climático precisa dar mais espaço à resiliência. Para ele, empresas devem trabalhar com parceiros financeiros e governantes na gestão de riscos. “Precisa de colaboração entre todos os jogadores”, afirmou, destacando que a cooperação deve ocorrer dentro dos países e também entre eles.
Nielsen citou investimentos em energia limpa, que receberam quase o dobro dos aportes destinados aos combustíveis fósseis no ano passado, segundo sua avaliação. Também mencionou o avanço da energia solar e eólica e o crescimento da demanda global de energia provocado pela Inteligência Artificial (IA). O especialista elogiou ainda o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) como exemplo de atração de investimentos privados para a natureza.







