As temperaturas da superfície do mar atingiram um recorde diário global em agosto e igualaram a maior marca já registrada para o mês. Com isso, os oceanos completaram o terceiro mês consecutivo em níveis sem precedentes, conforme o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus.
O Atlântico, o Mediterrâneo e o Pacífico tropical registraram recordes de temperatura. Nesta última região, o El Niño mais intenso da era moderna ganha força e pode contribuir para a continuidade das marcas históricas. Cientistas estimam que o fenômeno se aproxime do pico por volta de dezembro.
Mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases de efeito estufa foi absorvido pelos oceanos. O aquecimento tem impacto sobre a vida marinha, os recifes e as comunidades costeiras.
Recorde global de calor
O boletim do Copernicus também apontou que agosto foi o mês mais quente já registrado na Terra nos últimos 100 mil anos. A temperatura média do ar chegou a 16,96°C, superando em 0,01°C o recorde anterior, de julho de 2023.
As séries históricas do observatório começam nos anos 1940. Para investigar períodos anteriores, os cientistas analisam evidências como núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais. Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, afirmou: “Os humanos provavelmente não viam temperaturas tão altas quanto essas há pelo menos 100 mil anos”.
Na Europa Ocidental, agosto encerrou o verão mais quente já registrado na região, acima do recorde de 2003. Entre junho e agosto, ondas de calor severas e consecutivas levaram ao fechamento de escolas, ao ressecamento de rios e à criação de condições para incêndios florestais devastadores.
A ONU afirmou que o planeta seguirá rumo a níveis sem precedentes até que a humanidade abandone os combustíveis fósseis. A queima de carvão, petróleo e gás elevou a temperatura global em cerca de 1,4°C desde a era pré-industrial. As emissões de gases de efeito estufa atingiram níveis históricos em 2025.
Os cientistas esperam novos recordes nos próximos meses. A previsão é de que 2027, e talvez até 2026, estejam entre os anos mais quentes já registrados. Para Friederike Otto, do Imperial College London, os meses de marcas históricas continuarão enquanto carvão, petróleo e gás forem queimados.







