A participação de áreas áridas e semiáridas na superfície terrestre pode chegar a 40,28% entre 2071 e 2100, no cenário de maiores emissões de gases de efeito estufa. A estimativa está em um estudo publicado em 1º de setembro na revista científica Environmental Research Letters.
A projeção representa uma expansão de aproximadamente 2,37 milhões de quilômetros quadrados em relação ao período de referência. Entre 1994 e 2023, as áreas secas correspondiam a aproximadamente 38,58% da superfície terrestre. Considerando diferentes cenários de emissões, a proporção projetada para o fim do século varia de 39,31% a 40,28%.
O Brasil aparece entre as regiões onde o avanço da aridez pode ser mais intenso, ao lado da Austrália e do norte da África. A mudança não deve ocorrer de forma uniforme entre os continentes: algumas áreas tendem a apresentar secamento acima da média global.
Como a projeção foi calculada
Os pesquisadores avaliaram a distribuição das áreas secas entre 1960 e 2023 e fizeram estimativas para o período de 2071 a 2100. Uma diferença da pesquisa em relação a modelos anteriores está na inclusão da resposta da vegetação ao aumento da concentração de dióxido de carbono (CO₂).
Em atmosferas com mais CO₂, as plantas podem reduzir a abertura dos estômatos, estruturas das folhas responsáveis pelas trocas gasosas. Com isso, a perda de água pela transpiração diminui. Ao considerar esse mecanismo, o estudo calculou uma expansão das áreas secas menor do que a apontada por modelos que não incluíam essa resposta.
O percentual estimado não significa que 40% das regiões atualmente úmidas se transformarão em áreas secas. O cálculo reúne toda a superfície classificada como árida ou semiárida, incluindo locais que já têm essas características.
Limitações do estudo
Pesquisas anteriores chegaram a projetar que as regiões secas poderiam ocupar até 56% das terras do planeta em 2100. A nova estimativa é menor, mas mantém a previsão de alterações relevantes em determinadas partes do mundo.
O modelo considera principalmente fatores climáticos. Não entram diretamente nos cálculos o uso da terra, a retirada de água subterrânea, a irrigação e as mudanças na cobertura vegetal. Essas atividades podem alterar a disponibilidade de água e modificar os efeitos associados às condições climáticas.
Os pesquisadores defendem que trabalhos futuros combinem as projeções do clima com fatores ligados à atividade humana para avaliar com mais precisão os impactos da expansão das regiões secas sobre os recursos hídricos nas próximas décadas.







