O uso de chatbots de inteligência artificial para aprender já faz parte da rotina escolar de 48% dos estudantes brasileiros, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O índice considera alunos que recorrem às ferramentas pelo menos uma vez por semana e supera a média de 46% registrada entre os países da OCDE.
A IA também é utilizada por 40% dos estudantes para pesquisas preliminares sobre temas novos, por 31% para resumir textos e por 27% para preparar rascunhos de trabalhos escritos. Apenas 11% disseram nunca ou quase nunca usar chatbots em atividades escolares.
A avaliação, que considera conhecimentos, habilidades e atitudes de estudantes de 15 anos, mediu neste ano a capacidade de resolver problemas computacionais. O Brasil alcançou 406 pontos nessa categoria, formada por habilidades de programação visual ou em blocos e de modelagem computacional. A média da OCDE foi de 500 pontos.
Distração em sala
O Pisa também identificou associação entre distrações digitais e desempenho em Ciências. No Brasil, os estudantes que relataram esse tipo de distração tiveram 19 pontos a menos, em média, do que aqueles que não mencionaram o problema. Entre os países da OCDE, a diferença foi de 11 pontos.
Entre os brasileiros, 25% afirmaram que os colegas se distraem frequentemente com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de Ciências. A média da OCDE ficou em 28%.
A restrição ao celular avançou nas escolas brasileiras: em 2025, 81% dos estudantes frequentavam instituições que proibiam o uso dos aparelhos. Em 2022, eram 37%. A média entre os países e economias da OCDE foi de 49%.
A mudança ocorreu depois da entrada em vigor da Lei nº 15.100, sancionada em janeiro de 2025. A norma restringiu o uso de celulares por estudantes da educação básica, mas permite os aparelhos para fins pedagógicos.
Segundo a OCDE, alunos de escolas com proibição de celulares têm cerca de 13% menos probabilidade de sofrer distrações digitais. Os estudantes brasileiros relataram usar dispositivos na escola por 1,3 hora por dia em atividades de aprendizagem e por 1 hora em atividades de lazer. A média da OCDE foi de 1,7 hora para aprendizagem.
Mais de 30 mil estudantes brasileiros realizaram a avaliação no ano passado. Os testes medem a capacidade de resolver problemas complexos, pensar criticamente e se comunicar de forma eficaz.







