NOVA YORK — O Brasil precisa tratar a inteligência artificial (IA) como tema estratégico para atrair investimentos e aumentar a produtividade e a competitividade da indústria. A avaliação foi apresentada por participantes do painel “A Nova Indústria: IA, Geopolítica e Competitividade na Era da Transformação”, realizado durante o Fórum Agenda Global 2026.
Para Larissa Wachholz, sócia da Vallya e senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), uma política pública bem estruturada, acompanhada de responsabilidade fiscal, pode ajudar o país a reunir esforços e ampliar parcerias na área. Estados Unidos e China lideram a corrida global, mas Japão e Coreia também foram citados como possíveis parceiros asiáticos.
“Uma política pública bem feita, com responsabilidade, vai ser o caminho para a gente conseguir trazer investimentos nessa área”, afirmou Wachholz.
Aplicações práticas e indústria
Os participantes defenderam que a tecnologia seja avaliada a partir de usos concretos e que o ambiente regulatório incentive empresas a inovar. Miguel Matos, presidente da Phillip Morris no Brasil, citou o combate ao mercado ilegal de cigarros como uma possível aplicação.
Na empresa, uma das frentes envolve o mercado ilícito, que representa cerca de um terço do produto consumido no Brasil, e o acesso de menores de idade ao tabaco. Na Europa, a companhia testa uma ferramenta para identificar se o comprador em máquinas de cigarros é menor de idade. Matos também mencionou o uso de análise preditiva nas principais cadeias de distribuição para enfrentar o comércio ilegal.
Wachholz afirmou ainda que grandes grupos brasileiros precisarão avaliar a criação de seus próprios modelos de linguagem. Na visão dela, um ecossistema de código aberto pode beneficiar as empresas do país e reduzir a concentração da tecnologia em poucas companhias.
Educação e gestão pública
Andrea Riechert Senko, secretária de Fazenda e Planejamento da cidade do Rio de Janeiro, disse que o poder público tem analisado o uso de novas tecnologias no atendimento ao cidadão e na prestação de serviços. Ela também afirmou que o município recuperou a capacidade de investimento e voltou a transmitir confiança ao mercado.
Para Wachholz, o Brasil precisa investir mais em educação, especialmente em matemática, engenharia e ciências, para agregar valor às reservas de recursos naturais e não ficar limitado à exportação de commodities. O estímulo, segundo ela, deve alcançar escolas e famílias, com foco na formação de profissionais para áreas técnicas e para uma indústria competitiva.







