O Ministério Público de Goiás (MPGO) se manifestou contra o pedido de liberdade apresentado pela defesa de Magda Oliveira da Silva, investigada por lesões corporais gravíssimas. Em documento apresentado nesta quinta-feira, 24, o promotor de Justiça Publius Lentulus Alves da Rocha defendeu a manutenção da prisão preventiva.
A defesa pediu a revogação da prisão ou, como alternativa, a conversão da medida em prisão domiciliar. Os advogados alegaram que houve irregularidade em uma busca policial, contestaram os fundamentos da prisão e destacaram que Magda é mãe de uma criança menor de 12 anos.
Um dos questionamentos envolve o endereço vistoriado pelos policiais. Segundo a defesa, o mandado autorizava a entrada em uma sala, mas a equipe teria acessado outra no mesmo edifício. Entre os materiais recolhidos estavam um celular iPhone 17 Pro Max e uma apostila de mentoria.
O MPGO afirmou que a Justiça corrigiu o endereço antes da operação, após receber a informação de que Magda havia mudado o espaço usado por ela. Para a Promotoria, a ordem judicial estava válida e não houve invasão ilegal que justificasse a soltura.
Motivos apontados pelo Ministério Público
Na manifestação, o MPGO sustentou que a prisão foi baseada em fortes indícios de lesões corporais gravíssimas. O documento menciona mutilações genitais, amputações e queimaduras severas entre os ferimentos atribuídos à investigada.
A Promotoria também afirmou que Magda teria continuado usando as redes sociais para atrair pessoas interessadas em procedimentos semelhantes, mesmo sabendo da gravidade das lesões relatadas pelas vítimas. Na avaliação do órgão, isso indicaria risco de reiteração criminosa.
O Ministério Público considerou ainda que a prisão domiciliar não impediria a realização de novos procedimentos. A manifestação cita a captação de pacientes pela internet e a execução de procedimentos estéticos sem habilitação profissional ou condições sanitárias adequadas.
A defesa afirmou que Magda é primária, tem residência fixa e é mãe de uma criança menor de idade. Também alegou que o pai da menina mora no Tocantins, o que poderia deixar a criança desamparada. Para o MPGO, porém, as circunstâncias do caso justificam a prisão preventiva, mesmo diante da maternidade.
A Sílvio Maia Assessoria de Imprensa, que representa a defesa, declarou que o parecer do MPGO é uma manifestação opinativa e não define o resultado do processo. A decisão caberá ao Judiciário, que poderá manter a prisão, determinar a domiciliar ou acolher outro pedido da defesa.
Investigação
Magda foi presa preventivamente no dia 21 de setembro, em Goiânia, durante investigação da Polícia Civil de Goiás (PCGO) sobre procedimentos estéticos invasivos que teriam causado lesões graves e mutilações em pacientes. Até então, sete vítimas haviam sido identificadas.
Segundo a polícia, os procedimentos investigados ocorreram nas regiões íntima, facial, glútea e mamária. As pacientes relataram cortes, queimaduras, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido e cicatrizes. Em alguns casos, houve relatos de retirada de tecido além do autorizado e de lesões na região do clitóris.
A operação cumpriu três mandados de busca e apreensão: um na residência de Magda e dois em consultórios. Foram recolhidos celulares, medicamentos e outros materiais. Também foram encontrados medicamentos vencidos, e a polícia identificou a ausência de licença sanitária em um dos locais.
Na ocasião, a defesa disse que Magda estava disponível para apresentar informações, laudos e documentos. Também pediu cautela na divulgação do caso e afirmou confiar que a regularidade da conduta da fisioterapeuta seria demonstrada durante a investigação.








