A Peça da Coroação foi criada para marcar a ascensão de Dom Pedro I ao trono imperial, mas acabou rejeitada pelo próprio imperador antes de circular. A moeda de ouro tinha valor nominal de 6.400 réis e é considerada uma das mais raras e valiosas do Brasil.
A Casa da Moeda do Rio de Janeiro produziu 64 exemplares. O anverso foi assinado por Zeferino Ferrez, enquanto o reverso levou a assinatura de Thomé Joaquim da Silva Veiga. A fabricação ocorreu no período em que o Brasil deixava de ser Colônia para se tornar Império.
Por que a cunhagem foi interrompida
Dom Pedro I não aprovou a representação escolhida. Na moeda, aparecia com o busto nu, à maneira dos imperadores romanos, e usando uma coroa real diamantina, associada ao poder real, em vez da coroa imperial correspondente ao novo título.
A peça também não trazia a palavra CONSTITUCIONALIS nem o complemento ET PERPETUUS BRASILIAE DEFENSOR. Essas ausências contribuíram para a interrupção da cunhagem e são relacionadas, no registro histórico, a um possível desejo de poder absolutista.
Como a produção foi suspensa, as moedas não chegaram a circular efetivamente. Não existe documentação conclusiva sobre o destino de todos os exemplares. Das 64 peças produzidas, 16 estão catalogadas atualmente; as demais desapareceram ao longo de dois séculos.
Uma delas foi arrematada em Nova York por 499 mil dólares. O interesse pelo exemplar está ligado não apenas ao ouro, mas também ao registro de um momento de transição na formação do Império brasileiro.
A rejeição de Dom Pedro I transformou a moeda, concebida para celebrar sua ascensão, em uma relíquia da numismática nacional. O que não foi aceito pelo imperador permaneceu como peça rara da história do Brasil.








