GOIÂNIA — A Polícia Civil de Goiás confirmou 12 vítimas na investigação sobre procedimentos estéticos invasivos atribuídos à fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva. As mulheres relatam complicações como queimaduras, necrose, infecções, sangramentos, perda de tecido, cortes e cicatrizes, além de sequelas que persistem após tratamentos.
Magda foi presa preventivamente em 21 de setembro, em Goiânia. Inicialmente, a polícia havia identificado sete vítimas. Depois que o caso veio a público, novos relatos foram apresentados e mais de 25 mulheres passaram a integrar um grupo criado para reunir documentos, fotografias e depoimentos.
Relatos de complicações
Uma das mulheres afirma que procurou Magda após ver a divulgação de uma labioplastia apresentada como um procedimento a laser, sem cortes, sangramento ou afastamento das atividades habituais. O atendimento ocorreu em 27 de julho. Depois, ela teve sangramento intenso e, dois dias mais tarde, procurou um cirurgião plástico.
Segundo o relato, foi informada de que havia ocorrido a amputação dos pequenos lábios e que também apresentava uma infecção. O tratamento durou aproximadamente um mês. Durante esse período, a mulher afirma que teve dificuldade para sentar, comer e beber. Mesmo após o tratamento, continuou com dores e sensibilidade na região e não retomou completamente as atividades físicas.
Yanka Menezes relata complicações após um procedimento nos lábios. Ela diz que teve febre, inchaço intenso e alterações na coloração da boca. Também afirma que uma ultrassonografia indicou a presença de ácido, mas não identificou qual substância havia sido utilizada. Dias antes da prisão, Yanka enviou uma fotografia de uma bolha a Magda e recebeu a orientação de que a alteração seria normal e deveria ser tratada com massagens.
Laryssa Souza afirma que realizou um procedimento para fechar as abas nasais com fios de sustentação. Depois, teve machucados, inchaço, uma queimadura na ponta do nariz e fios expostos, que começaram a sair pelo nariz. Segundo ela, o resultado esperado não foi alcançado mesmo após 30 dias.
Maynara Vitória diz que realizou um procedimento nos lábios após ser informada de que seria usado ácido hialurônico. Depois do atendimento, percebeu que a boca estava torta. Ela procurou dentistas e outros profissionais, mas afirma que alguns se recusaram a intervir sem saber qual produto havia sido aplicado.
Investigação e defesa
De acordo com a Polícia Civil, os procedimentos investigados teriam sido realizados nas regiões íntima, facial, glútea e mamária. Há relatos de retirada de tecido além do autorizado e de lesões na região do clitóris. Documentos médico-legais e elementos periciais apontaram, em determinados casos, lesões provocadas por ação incisional e térmica.
Durante a operação que levou à prisão, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão: um na residência de Magda e dois em consultórios. Celulares, medicamentos e outros materiais foram apreendidos. Os policiais também encontraram medicamentos vencidos e ausência de licença sanitária em um dos locais.
A defesa afirma que Magda está comprometida com a verdade e com o rigor ético na atuação profissional. Os advogados disseram que estão à disposição da Polícia Civil e do Judiciário para apresentar informações, laudos técnicos e documentos. Também pediram cautela na divulgação das informações e afirmaram confiar que a inocência da fisioterapeuta será comprovada durante o processo.







