A prevenção ao afogamento infantil ganhou uma data nacional após a sanção da lei nº 14.936, de 26 de julho de 2024. A norma instituiu o dia 14 de Abril como o Dia Nacional de Prevenção ao Afogamento Infantil — Lei Susan Delgado, em homenagem à filha de Alex Ferrarini Delgado.
Agente de viagens, Alex escreveu o e-book “Afogamento Infantil — Você Pode Evitar!” depois da morte de Susan, em 2017. A menina tinha dois anos e se afogou na piscina da casa da família em Orlando, na Flórida. O autor afirma que o objetivo do trabalho é ampliar o acesso a informações sobre prevenção.
Dados e mobilização
Na obra, Alex reproduz informações do Boletim Epidemiológico de Afogamentos no Brasil, de 2020. O levantamento aponta que o afogamento é a primeira causa de óbito entre crianças de 1 a 4 anos e a segunda entre aquelas de 5 a 9 anos. O documento também indica que, a cada três dias, uma criança morre afogada no País.
Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, referentes aos registros de óbitos entre os anos de 2021 e 2022, apontam uma média de três mortes de crianças e adolescentes por afogamento por dia.
Alex criou o projeto Susan Forever em 2019, depois de compartilhar a experiência da família com outras vítimas de tragédias semelhantes. Desde então, passou a fazer palestras e a conceder entrevistas no Brasil, em Portugal, Israel e nos Estados Unidos.
Em 2022, foi elaborado o projeto de lei nº 1944, ainda em tramitação. A proposta estabelece ações voltadas à prevenção do afogamento infantil. O autor também lembra que a Organização das Nações Unidas proclamou, em 2021, o dia 25 de julho como o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento.
“Meu objetivo é disseminar o conhecimento a respeito da prevenção ao afogamento infantil”, diz Alex.
Orientações para reduzir riscos
O livro reúne medidas de segurança para piscinas, como a instalação de cercas, o uso de portão automático, alarmes com sensores, ralos anti-sucção e piso antiderrapante nas bordas. A obra também recomenda evitar boias e reforça que nenhum mecanismo substitui a atenção do adulto responsável.
Alex aconselha ainda que as crianças participem de aulas de natação, mas destaca que isso não elimina a necessidade de supervisão. Segundo ele, uma criança pequena pode ter o pulmão cheio de água em menos de dez segundos.
Susan se afogou mesmo com a piscina cercada. De acordo com o relato do pai, uma das amigas de sua mulher deixou aberto, sem perceber, um pequeno portão de acesso ao local. Alex não estava em casa quando o acidente ocorreu. Ao chegar, encontrou bombeiros tentando reanimar a filha à beira da piscina. Ela morreu depois de mais de 14 horas no hospital.
A família enfrentou ainda dificuldades para levar o corpo ao Brasil. A mãe de Susan queria sepultá-la em Goiânia, sua cidade natal, e, segundo Alex, foram 43 dias de negociação com autoridades norte-americanas para a liberação. Depois, houve problemas para a entrada do corpo no País, porque a criança não tinha passaporte. O traslado acabou sendo feito de carro, em uma viagem de mais de mil quilômetros, após a família perder o voo para Goiânia.
Após a morte da filha, a família se mudou para a Inglaterra. A experiência levou Alex a transformar o relato pessoal em uma iniciativa de orientação para famílias e em uma mobilização pela prevenção do afogamento infantil.







