GOIÁS — O PSDB enfrenta uma sequência de perdas políticas que ultrapassa o resultado de eleições. Em Goiás, desistências de candidatos à Câmara dos Deputados reduziram a força da chapa para 2026 e reacenderam a dúvida sobre a capacidade do partido de manter uma representação expressiva no Congresso.
Flávia Teles, viúva de Maguito Vilela, deixou a disputa após problemas de saúde. Henrique Arantes, filho do ex-deputado Jovair Arantes, retirou sua candidatura por questões pessoais e familiares. Jeferson Rodrigues também desistiu de tentar a reeleição. As decisões têm justificativas próprias, mas o impacto sobre a composição da chapa é concreto.
No sistema proporcional, os votos recebidos pelos candidatos e pela legenda interferem na distribuição das cadeiras. A saída de nomes competitivos pode, portanto, afetar a votação coletiva e a mobilização de diferentes segmentos do eleitorado. O PSDB ainda conta com o deputado federal Professor Alcides e Adair, conhecido como Vovô do Jeep.
De força nacional a partido em reconstrução
A situação em Goiás reflete a mudança de posição do PSDB na política brasileira. Em 2014, Aécio Neves levou o partido ao segundo turno da eleição presidencial contra Dilma Rousseff. Na primeira etapa, o tucano teve 33,55% dos votos válidos, ante 41,59% da petista. No segundo turno, Dilma alcançou 51,64%, e Aécio ficou com 48,36%. O candidato do PSDB recebeu mais de 51 milhões de votos.
Nas eleições de 2022, a federação PSDB/Cidadania elegeu 18 deputados federais, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral. O partido passou a enfrentar dificuldades para conservar o espaço que ocupou em disputas presidenciais e na representação parlamentar.
A trajetória do partido em Goiás
Por anos, o PSDB esteve associado ao poder em Goiás sob a liderança de Marconi Perillo. Ele venceu a eleição para governador em 1998, voltou a ser eleito em 2002 e 2010 e conquistou outro mandato em 2014. Na última dessas disputas, derrotou Iris Rezende no segundo turno, com 57,51% dos votos válidos.
A trajetória mudou em 2018, quando Marconi concorreu ao Senado e terminou sem mandato. Em 2022, voltou a disputar uma cadeira no Senado, mas novamente não foi eleito. O resultado interrompeu uma sequência eleitoral marcada por vitórias e aumentou o desafio de sustentar a estrutura partidária para além da força de seu principal líder.
A perda de espaço também envolve mudanças no eleitorado, reorganização das forças políticas, novas alianças e o surgimento de lideranças concorrentes. Para recuperar relevância, o PSDB precisa atrair candidaturas competitivas, formar novos quadros e oferecer aos filiados uma perspectiva de crescimento político.
A eleição de 2026 será um teste para essa estratégia. Em Goiás, o desempenho da chapa para a Câmara ajudará a indicar se o partido ainda conserva uma estrutura eleitoral capaz de se sustentar ou se terá de rever profundamente sua organização. A questão central é saber se a legenda conseguirá reunir votos suficientes para preservar sua presença parlamentar e convencer novos candidatos a permanecerem no projeto tucano.







