Poços de Caldas, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
A próxima viagem começa aqui
Rã quase transparente do Cerrado ganha nome científico após estudo em Goiás
Brasil

Rã quase transparente do Cerrado ganha nome científico após estudo em Goiás

Vitreorana micaelae foi identificada em Luziânia a partir de diferenças no canto, na morfologia e no material genético.

O ciclo reprodutivo e os hábitos de uma pequena rã esverdeada e quase transparente ajudaram pesquisadores a reconhecer uma espécie ainda não descrita pela ciência no Cerrado goiano. Batizada de Vitreorana micaelae, ela foi localizada em Luziânia, em matas de galeria próximas a riachos que deságuam no rio Corumbá.

A espécie canta no alto de árvores situadas em barrancos inclinados às margens do rio, mas só durante chuvas intensas. Com pouco mais de 2 centímetros e indivíduos espalhados pela área, o animal é difícil de encontrar. Essas características também impediram que a equipe associasse a rã a um nome popular já utilizado por comunidades locais.

Como a espécie foi reconhecida

O trabalho foi liderado pelo biólogo Wilian Vaz-Silva e reuniu pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB). A equipe comparou o animal com outros grupos de rãs-de-vidro e analisou o canto, características morfológicas e material genético.

Entre as diferenças observadas estão o material molecular, o canto, o formato da íris, a pigmentação dorsal e a morfologia, especialmente na região próxima à cloaca. A Vitreorana micaelae é a 11ª espécie do gênero. Quatro espécies ocorrem no Brasil, e esta é a segunda registrada apenas no Cerrado.

Reprodução e conservação

Durante a pesquisa, os autores descreveram um processo reprodutivo semelhante ao de outras espécies do mesmo grupo. O casal deposita os ovos em folhas de árvores altas, o macho protege a postura e, depois da eclosão, os girinos caem no riacho e se enterram no sedimento.

Registros feitos em 2013 no Cerrado podem ter sido atribuídos à espécie Vitreorana eurygnatha. Na época, os indivíduos foram identificados como uma espécie já conhecida, sem que se percebesse que pertenciam a uma espécie nova.

Publicado na edição de setembro da revista ZooKeys, o estudo recomenda que a espécie seja classificada como Dados Insuficientes (DD) no sistema da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A indicação ocorre pela falta de informações sobre o tamanho da população e as ameaças.

Brandão afirmou que uma nova localidade com presença da espécie já foi identificada no Cerrado, mas o dado ainda está em estudo e não foi publicado. O nome homenageia a bióloga Micaela de Jolepian L. Vaz, esposa de Wilian Vaz-Silva. Os autores também apontam como ameaças aos habitats de anfíbios as mudanças climáticas, alterações no regime hídrico, desmatamento e represamento de rios para pequenas hidrelétricas.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5