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Revisão humana e regras internas ganham peso com uso de IA nas empresas
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Brasil

Revisão humana e regras internas ganham peso com uso de IA nas empresas

Ferramentas generativas podem criar informações falsas e não eliminam a responsabilidade pelo conteúdo usado no trabalho.

A inteligência artificial generativa não assume a responsabilidade pelo material que ajuda a produzir no ambiente profissional. Mesmo quando uma ferramenta participa da elaboração de um texto, relatório ou documento, a empresa e os trabalhadores ainda precisam verificar as informações antes do uso.

O advogado trabalhista Lucas Aguiar afirma que a tecnologia pode apresentar respostas com aparência de verdade, mas sem base correta. Esse fenômeno é conhecido como “alucinação” e pode envolver dados inexistentes, fontes que nunca publicaram determinada informação ou interpretações equivocadas.

“Um texto pode conter uma estatística inexistente, uma referência que não foi publicada, uma interpretação jurídica equivocada ou uma informação aparentemente convincente, mas incorreta”, alerta Aguiar.

Conferência antes do uso profissional

O risco aumenta quando o conteúdo gerado por ChatGPT, Gemini ou outra ferramenta é incorporado diretamente a relatórios, contratos, pareceres, mensagens para clientes e outros documentos de trabalho. A responsabilidade não é transferida automaticamente para o sistema.

Segundo Aguiar, uma eventual análise pode levar em conta quem autorizou o uso da tecnologia, quais informações foram fornecidas, como o material produzido foi empregado e quais medidas de segurança e revisão foram adotadas. Em determinadas circunstâncias, o empregador também pode responder por atos praticados pelo funcionário durante suas atividades profissionais, caso o uso inadequado cause prejuízos a clientes ou terceiros.

A revisão humana, portanto, precisa fazer parte do processo antes que uma resposta da IA seja aproveitada em uma atividade profissional. Uma redação bem escrita não garante que os dados, as referências ou as interpretações estejam corretos.

Dados internos exigem autorização

Outro ponto de atenção é o envio de informações da empresa para plataformas externas. Trabalhadores podem usar ferramentas de IA para escrever, resumir documentos, analisar informações e produzir conteúdos, mas também podem inserir dados de clientes, contratos, documentos financeiros e estratégias internas sem saber como esse material será processado.

Dados pessoais de clientes e funcionários, projetos ainda não divulgados e informações protegidas por acordos de confidencialidade estão entre os conteúdos que exigem cuidado. As condições de armazenamento, processamento e utilização podem variar conforme a ferramenta, o tipo de conta e as configurações adotadas.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também entra nessa avaliação. Para Lucas Aguiar, o fato de uma informação estar disponível em formato digital não autoriza sua transferência para qualquer sistema. Empresas que lidam com dados pessoais precisam considerar finalidade, necessidade, segurança, governança e outros requisitos aplicáveis ao tratamento dessas informações.

Na prática, copiar dados de um cliente ou trechos de documentos internos para uma ferramenta de IA pode significar levar essas informações para fora do ambiente da empresa. O risco depende do conteúdo compartilhado, das configurações utilizadas e das políticas da plataforma.

Política deve definir limites

A recomendação é que empresas autorizem previamente as ferramentas e estabeleçam quais dados não podem ser compartilhados, em que situações a IA pode ser usada e quando o conteúdo deverá passar por revisão humana.

O treinamento também deve abordar proteção de dados, confidencialidade e confiabilidade das respostas. “Não basta entregar um manual ao trabalhador e esperar que ele saiba diferenciar uma utilização segura de uma situação de risco”, afirma Aguiar.

A adoção da tecnologia, assim, precisa deixar de depender apenas da decisão individual de cada funcionário. Regras claras devem indicar como, quando e para quais atividades a inteligência artificial pode ser incorporada ao trabalho, sem afastar a responsabilidade sobre o conteúdo utilizado.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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