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Operação resgata 67 cortadores de cana em usina de Cabo Frio
Brasil

Operação resgata 67 cortadores de cana em usina de Cabo Frio

Fiscalização encontrou jornadas de até 15 horas, alojamentos degradantes e falta de estrutura no trabalho de corte de cana.

Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 67 cortadores de cana submetidos a condições análogas à escravidão em uma usina de etanol de Cabo Frio, no Rio de Janeiro. A unidade pertence à Lagos Bioenergia e produz etanol hidratado.

Os trabalhadores vieram do Nordeste e de Minas Gerais após receberem a promessa de alojamento na cidade e de pagamento superior a R$ 1 por tonelada de cana cortada. Conforme a fiscalização, os intermediários responsáveis pelo recrutamento apenas forneciam mão de obra para a usina.

Os auditores encontraram alojamentos com insetos e roedores nos quartos, além da falta de armários, chuveiro quente e água em quantidade adequada. Como a usina fica em uma área isolada e sem transporte público, os trabalhadores tinham dificuldade para deixar o local e realizar atividades na cidade.

No canavial, as jornadas duravam de 12 a 15 horas. Também não havia banheiros, material de primeiros socorros nem espaço para refeições. Os trabalhadores faziam as refeições com a marmita apoiada nas pernas, muitas vezes sob sol intenso.

Rescisões e acordo

A ação começou na segunda-feira (28), com a participação de auditores fiscais, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). O corte foi interrompido, os contratos foram rescindidos e a usina pagou cerca de R$ 335 mil em verbas salariais e rescisórias, além das passagens de volta aos locais de origem.

A Lagos Bioenergia informou que rescindiu os contratos com as empresas terceirizadas, quitou os encargos trabalhistas e providenciou o retorno dos trabalhadores. A empresa afirmou que “repudia qualquer prática que desrespeite a dignidade e os direitos dos trabalhadores” e disse que revisa os procedimentos de contratação e fiscalização de prestadoras de serviço.

Em um Termo de Ajuste de Conduta firmado com o MPT-RJ, a empresa se comprometeu a cumprir as regras para contratação de terceirizados e a não recrutar trabalhadores de outros estados. Também deverá vistoriar alojamentos próprios ou de terceirizados, manter registros fotográficos datados e elaborar planos para corrigir irregularidades.

O acordo ainda proíbe práticas como aliciamento, recrutamento ou transporte de trabalhadores por meio de ameaça, violência, coação, fraude ou abuso com a finalidade de submetê-los à servidão ou a condições análogas à escravidão. O descumprimento pode gerar multa de R$ 30 mil por obrigação e de R$ 5.000 por trabalhador prejudicado.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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