Sergey Cherkasov, condenado por usar uma identidade brasileira falsa para atuar como espião no exterior, afirmou a um diplomata russo que seria defendido sem custo por advogados contratados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). A conversa foi registrada pela área de inteligência da Penitenciária Federal de Brasília e encaminhada à Justiça em um procedimento sigiloso.
O diálogo ocorreu em 22 de maio, quando Cherkasov conversou com Aleksei Ivanashko, segundo-secretário da Embaixada da Rússia no Brasil. “O que eu vou fazer também, vou contratar os advogados do PCC. E para mim vai ser de graça, acredita?”, disse o russo.
Na sequência, Cherkasov afirmou que pretendia lutar ao lado dos integrantes da facção para tentar deixar a prisão. A área de inteligência da penitenciária não transcreveu a fala do diplomata russo.
Prisão e condenação
Cherkasov foi preso no Brasil em 2022, depois de ser impedido de entrar na Holanda usando documentos falsos. Ele utilizava o nome brasileiro falso de Victor Ferreira e atuava como espião em outros países, inclusive nos Estados Unidos.
A Justiça brasileira inicialmente o condenou a 15 anos de prisão. Em 2023, após um pedido da defesa, a pena foi reduzida para cinco anos, dois meses e 15 dias. Em julho deste ano, o governo brasileiro decidiu expulsá-lo para a Rússia, mas ainda não havia data definida para a medida. A decisão provocou atritos diplomáticos com os Estados Unidos.
A declaração sobre os advogados ligados ao PCC contrasta com um depoimento prestado pelo próprio Cherkasov a autoridades brasileiras em 29 de fevereiro de 2024. Na ocasião, ele relatou sofrer assédio de detentos ligados à facção e disse que pediria transferência para o isolamento.
Representantes da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e do Ministério Público Federal (MPF) visitaram o russo na unidade prisional. Segundo relatório do MPF, ele pediu o isolamento após um tumulto durante o banho de sol, que teria causado lesões corporais graves em um preso amigo. O documento também registra que outros detentos descobriram que Cherkasov era espião ao ler uma matéria que circulou na penitenciária.
A Embaixada da Rússia não se manifestou. A defesa de Cherkasov informou que também não comentaria o caso.







