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Todxs busca R$ 100 milhões para apoiar negócios LGBTQIA+ até 2030
Foto: Rogerio Vieira/Valor
Brasil

Todxs busca R$ 100 milhões para apoiar negócios LGBTQIA+ até 2030

Organização pretende capacitar mais de 40 mil pessoas LGBTI+ e apoiar cerca de 1.500 negócios no país.

A organização social Todxs pretende mobilizar R$ 100 milhões até 2030 para ampliar o apoio a negócios liderados por pessoas LGBTI+ no Brasil. A meta inclui capacitar mais de 40 mil empreendedores e apoiar cerca de 1.500 empresas.

Do total previsto, 80% devem vir de doações e outras formas de filantropia. Os 20% restantes serão buscados em parcerias com empresas. A iniciativa começa com R$ 5 milhões já garantidos por meio de doações e acordos, conforme Willian Mallmann, fundador da Todxs.

A entidade, criada em 2016 como uma organização sem fins lucrativos voltada ao acolhimento da comunidade, vai destinar parte dos recursos a negócios das periferias de São Paulo e Recife. O programa oferecerá capital semente, modalidade destinada a empresas em estágio inicial. Na proposta, o dinheiro será uma doação não reembolsável, liberada em parcelas depois da prestação de contas de cada fase do empreendimento.

Pequenos negócios poderão receber até R$ 10 mil por empresa. Muitos ainda estão registrados como Microempreendedor Individual (MEI). O objetivo é contribuir para a estruturação dessas empresas e prepará-las para buscar empréstimos e investimentos de maior porte.

Critérios e trajetória de financiamento

A Todxs chegou ao formato após testar mais de 16 programas e diferentes maneiras de apoiar a população LGBTI+. A experiência incluiu incubação de negócios, distribuição de capital e a criação de um fundo voltado a pessoas trans. Mallmann afirma que a organização pretende combinar instrumentos financeiros para acompanhar os empreendimentos conforme eles amadurecem.

O capital semente será a porta de entrada. Depois, a entidade busca oferecer acesso a crédito com juros subsidiados por meio de parceiros privados e aproximar os negócios de investidores, como family offices e fundos de impacto. Os primeiros apoiados podem ainda não ter fluxo de caixa estável, processos de gestão ou plano de negócios, segundo o fundador.

Para escolher os beneficiários, serão analisados o perfil das lideranças, o estágio de desenvolvimento da empresa e a situação socioeconômica dos empreendedores. Pelo menos uma pessoa fundadora de cada negócio deverá ser LGBTI+. Entre as metas de composição do público, estão 50% de pessoas negras, 30% de moradores do Norte ou Nordeste e 20% de mulheres.

A evolução das empresas será acompanhada por indicadores como faturamento, estabilidade, criação de empregos e geração de renda.

Acesso a recursos

A dificuldade para obter capital aparece entre os principais obstáculos apontados pela Todxs em um relatório que marca seus dez anos. Na pesquisa, 60% dos empreendedores entrevistados disseram nunca ter recebido investimento externo. Entre os 42% que já acessaram algum tipo de recurso, 57,6% relataram que os negócios estavam mais estáveis.

Uma análise do Banco Mundial, baseada em entrevistas com 11.231 adultos LGBTI+ no Brasil realizadas entre junho e setembro de 2025, calculou que a exclusão dessa população do mercado de trabalho representa uma perda anual de R$ 94,4 bilhões em renda do trabalho. O valor corresponde a 0,8% do PIB.

A Todxs também passa por uma mudança na própria estrutura financeira. Mallmann afirma que a organização perdeu cerca de 70% do financiamento empresarial em 2024, em um cenário de cancelamento de projetos e retração do mercado de consultoria em diversidade, equidade e inclusão. A entidade usou reservas acumuladas nos anos anteriores e interrompeu a captação em 2025 para avaliar os resultados da primeira década.

Ao longo de dez anos, a organização destinou R$ 524 mil a 191 negócios e mobilizou projetos com mais de 80 empresas, segundo o fundador.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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