BELO ORIENTE — A Cenibra prevê produzir e vender um volume um pouco menor de celulose neste ano, em meio à alta dos custos de insumos e logística e à pressão sobre os preços. A empresa também avalia a instalação de uma nova caldeira a biomassa para substituir equipamentos existentes, mas não tem projeto para ampliar a capacidade de produção de celulose.
O diretor-presidente da Celulose Nipo-Brasileira, Júlio Ribeiro, afirma que a companhia mantém capacidade instalada de cerca de 1,2 milhão de toneladas por ano desde 2006. Em 2025, a produção ficou um pouco acima desse volume, enquanto as vendas alcançaram aproximadamente a mesma quantidade. Para este ano, a expectativa é de recuo.
Custos e mercado externo
De acordo com Ribeiro, a celulose branqueada de fibra curta teve recuperação nos preços em relação ao ano passado, mas continua abaixo de US$ 600 a tonelada. Para o executivo, um nível considerado bom seria de pelo menos US$ 650. Ao mesmo tempo, os gastos avançam acima da inflação, influenciados por itens como fertilizantes, combustíveis, frete marítimo e energia.
A Cenibra também sente os efeitos da baixa demanda e da verticalização da China, segundo o diretor-presidente. Ele prevê que os balanços das empresas do setor no fechamento de 2026 apresentem resultados inferiores aos de 2025.
Entre 95% e 98% da produção em Belo Oriente é destinada ao exterior. Desse total, cerca de 40% segue para a Europa, 40% para a Ásia, sobretudo a China, 15% para a América do Norte e 5% para o mercado spot.
Projeto de modernização
Sem previsão de aumento da produção, a empresa tem investido na modernização e na otimização da unidade industrial em Belo Oriente. Um estudo de viabilidade econômica analisa a instalação de uma nova caldeira a biomassa, com a finalidade de elevar a eficiência e a capacidade de geração de vapor usada no processo industrial.
O investimento deve custar milhões de dólares, mas ainda não há estimativa de valor. Ribeiro espera que a autorização seja concedida nos próximos seis meses. O cenário geopolítico global e as condições do mercado, segundo ele, têm criado incertezas e dificultado a aprovação de aportes de grande porte.
Restrição para compra de terras
A expansão da produção depende, na avaliação do executivo, da garantia de fornecimento de madeira. A Cenibra utiliza 85% de madeira própria e 15% de terceiros por meio de um programa de fomento florestal que reúne mais de 600 produtores e recebe investimentos de cerca de R$ 140 milhões por ano.
A empresa mantém plantios de eucalipto em 54 municípios mineiros. Quando são incluídas as áreas dos parceiros, o número passa de 80. Ribeiro considera a aquisição de terras um dos pontos mais críticos para uma empresa de celulose, devido ao volume de madeira necessário para abastecer a indústria.
A legislação brasileira restringe a compra de áreas por empresas estrangeiras ou com capital majoritariamente estrangeiro. Segundo Ribeiro, essa regra teve peso na ausência de crescimento da Cenibra ao longo dos anos. Há discussões sobre uma possível revisão, mas as restrições continuam. Em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal validou as regras para a aquisição de imóveis rurais por empresas estrangeiras ou com maioria do capital estrangeiro.
Localizada em Belo Oriente, no Vale do Aço, a Cenibra completou 53 anos no último dia 13. Fundada em 1973 como uma parceria da Vale com um consórcio de empresas japonesas, passou a ter capital 100% japonês em 2001. Atualmente, é controlada pela japonesa Oji Holdings Corporation.







