Os juros futuros operavam próximos da estabilidade no início da tarde desta sexta-feira (18), em meio à pressão vinda da renda fixa internacional e às expectativas para as eleições presidenciais de outubro. Os contratos de prazo mais curto refletem o ambiente global de juros elevados, enquanto os mais longos encontram algum suporte na avaliação de que a oposição pode vencer a disputa contra o presidente Lula (PT).
Por volta de 13h25, o DI com vencimento em janeiro de 2027 passou de 13,555%, no ajuste da véspera, para 13,56%. O contrato para janeiro de 2028 subiu de 13,615% para 13,63%. Já o DI de janeiro de 2029 recuou de 13,845% para 13,835%, e o contrato para janeiro de 2031 caiu de 14,06% para 14,025%.
Pressão nos mercados internacionais
Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dois anos avançou de 4,683% para 4,750%, enquanto a de dez anos passou de 4,937% para 5,007%. Na Europa, o Gilt britânico de dez anos subiu de 5,218% para 5,297%, e o Bund alemão com o mesmo vencimento avançou de 3,489% para 3,530%.
O movimento ocorre diante da percepção de que as principais economias desenvolvidas devem conviver com juros mais altos nos próximos anos. O petróleo recuou modestamente, mas a falta de uma resolução clara para o conflito no Oriente Médio manteve a commodity acima de US$ 100 por barril. A disputa por capital entre os mercados de dívida pública e privada também elevou os prêmios exigidos pelos investidores para financiar governos.
Entre os bancos centrais, o BoJ elevou os juros de 1% para 1,25%, maior nível em 31 anos. O Banco da Inglaterra manteve a taxa bancária em 3,75%, embora parte do comitê tenha votado por uma alta.
Cenário eleitoral
No Brasil, o mercado considera que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal candidato da oposição, pode vencer a eleição presidencial de outubro. Essa possibilidade é associada a uma eventual mudança na política econômica. Em algumas plataformas de mercado preditivo, proibidas no Brasil, Flávio aparece com chances de vitória mais de dez pontos percentuais acima de Lula.
O Datafolha apontou, na noite anterior, estabilidade em um quadro de empate técnico. Na simulação de segundo turno, Lula registrou 46% das intenções de voto, contra 44% de Flávio, diferença dentro da margem de erro do levantamento.






