O Programa Reforma Casa Brasil ampliou o crédito contratado para compra de materiais de construção e se tornou um dos fatores de recuperação do setor. O volume de empréstimos subiu de R$ 265 milhões em maio para R$ 963 milhões em agosto, enquanto o número mensal de contratos passou de 9,4 mil para 27,4 mil no mesmo intervalo.
A política é voltada a famílias com renda de até R$ 9,6 mil por mês. Após uma revisão em maio, passou a oferecer juros de até 0,82% mensais e prazo maior para pagamento. De acordo com Mauro Franco, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), o programa movimentou quase R$ 3 bilhões nos últimos quatro meses.
Apesar do avanço no crédito, o faturamento da indústria ainda acumula retração em 2026. Entre janeiro e agosto, a queda foi de 1,7% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado, porém, é melhor que o acumulado até julho, quando o recuo estava em 2,7%. Até abril, a retração era de 4,8%.
Agosto registra avanço nas vendas
O faturamento cresceu 1,1% em agosto na comparação com julho e aumentou 3,6% diante de agosto de 2025. A Abramat projeta alta de 0,5% no resultado anual, estimativa revisada em julho, quando a previsão de crescimento era de 1,9%. Em 2025, o setor havia registrado queda de 1,2%.
Franco atribui parte do movimento ao desempenho das obras de infraestrutura e do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Para ele, o crédito também ajuda o varejo de materiais, que vinha enfrentando mais dificuldades. O presidente da entidade afirma que as famílias estão comprando com mais cautela devido ao endividamento.
O Reforma Casa Brasil prevê R$ 40 bilhões em empréstimos para a compra de materiais. Franco diz que o montante garantiria mais dois anos de atuação e afirma que há expectativa de ampliação do programa. Segundo ele, o governo sinaliza que a política pode se tornar permanente, a exemplo do MCMV.
Expectativas para os próximos meses
A Abramat acompanha as perspectivas das empresas por meio de um indicador sobre as vendas futuras. Em agosto, 85% esperavam desempenho entre regular e muito bom, mas 63% confirmaram esse resultado. Para setembro, 90% projetam vendas de regular a muito bom.
A entidade não prevê impacto da eleição no desempenho de 2026, porque entende que os recursos para o ano já estão garantidos. A incerteza está em 2027, especialmente diante de possíveis mudanças na condução fiscal e econômica. Franco afirma, porém, que os programas são estruturados para o médio e longo prazo.







