O crédito ficou mais caro e arriscado para os bancos, em um cenário de juros elevados, perda de poder de compra e aumento da inadimplência. As instituições passaram a revisar carteiras, reduzir a exposição a clientes de maior risco e buscar operações com melhor retorno ajustado ao risco.
O saldo de crédito do Sistema Financeiro Nacional cresceu 11,5% em 2024 e 10,2% no ano passado. Para 2026, o Banco Central prevê expansão de 9%. Em junho, o total chegou a R$ 7,4 trilhões, alta de 9,7% em 12 meses. A desaceleração afeta principalmente famílias de menor renda e pequenas e médias empresas.
No Banco do Brasil, o lucro do primeiro semestre foi de R$ 7,3 bilhões, queda de 34,2% na comparação anual. No segundo trimestre, o resultado chegou a R$ 3,9 bilhões, mas a inadimplência da carteira consolidada subiu para 5,61%. No agronegócio, o índice alcançou 6,27%. As despesas com provisões para devedores duvidosos chegaram a R$ 18,4 bilhões.
A nova regra contábil da Resolução CMN nº 4.966, em vigor desde janeiro de 2025, também alterou a formação das provisões. O modelo passou a considerar perdas de crédito esperadas ao longo do tempo, e não apenas atrasos já registrados.
Entre os grandes bancos privados, o Santander teve lucro líquido de R$ 3,014 bilhões, com queda de 17,6% em um ano. A provisão gerencial aumentou 20,6%, para R$ 7,650 bilhões. A instituição informou que está reduzindo a exposição a clientes com renda abaixo de R$ 4 mil; essa carteira recuou cerca de 30% nos últimos 12 meses.
Resultados e estratégia dos bancos
O Bradesco apresentou lucro de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre, avanço de 16,2% na comparação anual, com retorno sobre o patrimônio de 16,2%. O banco priorizou linhas com garantias, como crédito consignado, financiamento de veículos e capital de giro com aval do governo federal. A parcela da carteira com colateral subiu de 59% para 61% entre dezembro e junho.
O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 46,8 bilhões em 2025. No segundo trimestre, o resultado foi de R$ 12,4 bilhões, com retorno sobre o patrimônio de 24,3%. A provisão para devedores duvidosos subiu para R$ 10,5 bilhões.
Indicadores de mercado mostram a pressão sobre consumidores e empresas. Em julho, a inadimplência de pessoas físicas atingiu 75,08 milhões de consumidores. Entre as empresas, havia nove milhões de inadimplentes em maio, com R$ 229,9 bilhões em dívidas atrasadas.
Analistas avaliam que os bancos devem manter critérios restritivos, diante da atividade econômica mais fraca e do juro real de 9,3%. A Fitch Ratings, que acompanha mais de 85% do sistema financeiro, vê uma piora que precisa ser monitorada, mas não identifica risco sistêmico. Para a agência, os bancos chegaram a 2026 mais resilientes, enquanto instituições menores sentem mais os efeitos por atuarem em segmentos como pequenas e médias empresas e crédito consignado.







