SÃO PAULO — O desânimo dos eleitores com Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro tornou incerto o resultado da eleição presidencial, na avaliação de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group. Para ele, a disputa será apertada e marcada pela baixa mobilização dos dois principais campos políticos.
Durante um debate sobre o cenário eleitoral, Garman afirmou que as pesquisas indicam frustração entre eleitores lulistas e bolsonaristas. No primeiro grupo, ele citou a estagnação da classe média, o custo de vida e a percepção de que expectativas de ascensão social não foram concretizadas. Entre os apoiadores de Jair Bolsonaro, avaliou que Flávio não reproduz o perfil do pai.
“O ambiente de desalento deixa muito difícil de prever o resultado da eleição”, disse Garman. O cientista político também afirmou que a sequência de notícias sobre corrupção tem contribuído para o pessimismo e apontou a queda na aprovação do governo como o principal sinal de alerta para a campanha de Lula.
Garman lembrou que, normalmente, a avaliação de um governo melhora com o início da campanha eleitoral. Segundo ele, isso não ocorreu neste caso. A Eurasia Group reduziu a probabilidade de reeleição do presidente, mas o analista ressaltou que ainda há sete semanas de campanha e que o governo pode reagir. Flávio, por sua vez, ainda não teria sido testado e deverá enfrentar mais ataques.
Lauro Jardim avaliou que nenhum candidato conseguiu ocupar o espaço esperado para uma candidatura de fora do grupo tradicional. Para ele, as eleições repetem o padrão observado desde 2018 e não apresentam propostas capazes de provocar envolvimento dos eleitores.
Maria Cristina Fernandes associou o cansaço à presença constante dos Poderes no debate eleitoral e citou a crise no Supremo Tribunal Federal, incluindo o conflito entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. Ela também afirmou que a corrupção passou a ser a segunda maior preocupação, atrás da segurança, e que esse desgaste pode prejudicar o candidato que ocupa o governo.
Os participantes ainda criticaram a falta de propostas sobre política fiscal. Garman disse que as equipes de Lula e Flávio têm diagnóstico semelhante sobre a economia e concordam com a necessidade de ajuste. A divergência, segundo ele, está no tamanho da correção de rumos e no que ocorrerá depois, em um cenário que deverá tornar 2027 um ano difícil.







