SÃO PAULO — A aprovação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva caiu de 47% para 44% em um mês, segundo Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group. Para o cientista político, a redução é o principal sinal de alerta para a campanha do presidente, que disputa uma eleição marcada pelo desânimo entre eleitores lulistas e bolsonaristas.
Garman participou de um debate sobre o cenário eleitoral durante a premiação da 26ª edição do anuário Valor 1000, em São Paulo, ao lado de Maria Cristina Fernandes e Lauro Jardim. Ele afirmou que a Eurasia reduziu a probabilidade de reeleição de Lula, mas ponderou que ainda há sete semanas de campanha e que o governo pode reagir.
O analista também avaliou que Flávio Bolsonaro ainda não foi testado eleitoralmente e deverá enfrentar mais ataques. Na sua avaliação, a disputa será muito apertada. “A eleição vai ser muito apertada e ainda temos sete semanas pela frente”, afirmou.
Desgaste nos dois grupos
As pesquisas, segundo Garman, indicam falta de esperança entre os apoiadores dos dois principais candidatos. No campo lulista, ele associou o desânimo à estagnação da classe média, ao custo de vida e à frustração com expectativas que não teriam sido realizadas. Entre os bolsonaristas, apontou que Flávio não reproduz o perfil político de Jair Bolsonaro.
O diretor-executivo também relacionou o pessimismo ao volume de notícias sobre corrupção. Para ele, esse ambiente diminui ainda mais a esperança do eleitor e torna difícil prever o resultado das urnas.
Lauro Jardim afirmou que a eleição não conseguiu mobilizar a população até agora. Na avaliação dele, havia espaço para um candidato de fora da política tradicional, mas ninguém ocupou esse espaço. O colunista disse ainda que as eleições repetem, em alguma medida, o padrão observado desde 2018, com candidatos que não apresentam um discurso novo.
Maria Cristina Fernandes interpretou o cansaço eleitoral de duas formas. Para ela, a repetição das eleições indica a institucionalização da democracia, mas o afastamento dos Poderes em relação ao país alimenta o desalento. A colunista citou a crise no Supremo Tribunal Federal e a disputa entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Corrupção no centro do debate
Maria Cristina afirmou que a corrupção se tornou a segunda maior preocupação da população, atrás da segurança, e disse que esse desgaste tende a afetar mais o presidente em exercício. Jardim avaliou que tanto o governo quanto a campanha de Flávio Bolsonaro têm dificuldade para responder a denúncias.
Na análise de Maria Cristina, o Supremo Tribunal Federal ocupa novamente um espaço central na eleição, como ocorreu em 2022. Ela considerou desolador que a Corte tenha peso tão determinante em uma disputa presidencial e afirmou que, no cenário atual, os conflitos entre os ministros pertencem ao próprio tribunal.







